Realizador junta-se à onda de críticas à TVI por dar palco a influencer que assumiu falso crime para ganhar notoriedade
Uma nova polémica está a abalar o panorama televisivo português. Manuel Luís Goucha, uma das figuras mais respeitadas da televisão nacional, está a ser duramente criticado após entrevistar Tiago Grila no programa ‘Goucha’, emitido pela TVI esta terça-feira, 27 de maio. Em estúdio, o polémico influencer admitiu ter “inventado” uma história sobre ter atropelado uma mulher na Amadora, alegadamente para “criar impacto” num podcast. A revelação provocou uma onda de indignação entre telespectadores, figuras públicas e profissionais do meio.
Entre as vozes mais sonantes está a de Vicente Alves do Ó, realizador e autor português, que se manifestou publicamente através da sua página de Facebook. “Depois da ‘inesquecível’ entrevista ao Mário Machado, Manuel Luís Goucha e a TVI continuam nesta senda infinita de audiências e provocação”, escreveu o realizador, referindo-se ao passado controverso do programa em dar espaço a figuras polémicas. E acrescenta, dirigindo-se diretamente ao apresentador: “Senhor Goucha, se não consegue combater esta linha de entrevistas […], retire-se. Reforme-se disto tudo. Já fez o seu caminho.”
A entrevista a Tiago Grila, que admitiu ter assumido a responsabilidade por um crime que não cometeu, suscitou acusações de que o programa estaria a promover comportamentos irresponsáveis e antiéticos com o objetivo de aumentar audiências. Vicente Alves do Ó não esconde a sua deceção: “Tem ferramentas mais que suficientes para continuar a fazer outras coisas mais interessantes, de outra maneira.” O cineasta lamenta que um nome com o prestígio de Goucha esteja a ceder a este tipo de “espetáculo”.
O episódio reacende o debate sobre os limites do entretenimento televisivo e o papel da responsabilidade editorial em programas de entrevistas. Nas redes sociais, muitos questionam se é aceitável que a televisão generalista dê palco a quem conscientemente manipula a verdade para ganhar fama. Em contrapartida, outros defendem o direito à pluralidade e à exposição pública de diferentes narrativas, mesmo que controversas.
Até ao momento, nem a TVI nem Manuel Luís Goucha emitiram qualquer comentário oficial em resposta às críticas. O caso promete continuar a dar que falar, numa altura em que a relação entre ética, audiência e responsabilidade nos media está cada vez mais em escrutínio.







