Controvérsia nos EUA: Presidente recomenda rótulos de advertência no Tylenol e alterações no calendário vacinal infantil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., geraram controvérsia ao associar o consumo de paracetamol (Tylenol) durante a gravidez e a vacinação infantil precoce ao aumento de casos de autismo, alegações feitas sem qualquer base científica sólida. Durante um anúncio recente, ambos defenderam a implementação de rótulos de aviso em medicamentos à base de acetaminofeno e propuseram alterações no calendário vacinal das crianças.
Trump recomendou adiar a vacinação contra a hepatite B até aos 12 anos, contrariando as orientações oficiais, que defendem a imunização desde o nascimento. O presidente argumentou que a doença é transmissível sexualmente e que não é necessário vacinar recém-nascidos. Além disso, sugeriu que o calendário vacinal seja espalhado ao longo de cinco anos, evitando múltiplas vacinas num único período, para “não sobrecarregar o corpo delicado do bebé”.
Por seu lado, Kennedy Jr. afirmou que a ligação entre paracetamol na gravidez e perturbações neurodesenvolvimentais, incluindo autismo e TDAH, tem sido suprimida por “motivos políticos”. Segundo o secretário da Saúde, o uso do medicamento durante a gestação poderia aumentar o risco destas condições, alegando que a investigação científica sobre o autismo é limitada por receios de conclusões “politicamente incorretas”.
O que dizem os estudos científicos
A evidência científica atual não confirma uma relação causal entre o uso de paracetamol na gravidez e o autismo. Uma investigação sueca de 2024, envolvendo cerca de 2,5 milhões de crianças, não encontrou ligação significativa. Já uma revisão de 2025, analisando 46 estudos, sugeriu uma possível associação, mas salientou que não prova causalidade. Fatores como genética, saúde materna, ambiente e uso de outros medicamentos podem explicar eventuais correlações observadas.
As entidades médicas, como o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e o Royal College of Obstetricians and Gynecologists, continuam a recomendar o paracetamol como medicamento de primeira linha para dores e febre durante a gravidez, alertando apenas para a necessidade de uso na menor dose possível e pelo menor tempo necessário. Por outro lado, o não tratamento de febre ou dor pode representar risco sério para mãe e feto, incluindo malformações congénitas, partos prematuros, baixo peso à nascença e complicações maternas como hipertensão e desidratação.
Apesar das declarações de Trump e Kennedy Jr., as recomendações oficiais de saúde pública continuam a apoiar o uso seguro do paracetamol durante a gravidez e a vacinação infantil dentro dos prazos estabelecidos. Especialistas reforçam que os pais devem consultar médicos antes de tomar decisões sobre medicação ou imunização, evitando interpretações alarmistas baseadas em alegações não comprovadas.






