Quedas de telhados, cheias e ventos extremos já provocaram pelo menos 13 mortos após as tempestades ‘Kristin’ e ‘Leonardo’
A violência do mau tempo que tem atingido Portugal nas últimas semanas continua a fazer vítimas e a deixar o País em choque. Joaquim Ferreira, de 73 anos, tornou-se mais um rosto da tragédia associada às recentes tempestades, elevando para 13 o número de mortos, diretos e indiretos, ligados à intempérie. O idoso caiu de um telhado na aldeia de Monte Agudo, concelho de Leiria, quando tentava ajudar um familiar a reparar estragos provocados pelo vento forte. O caso volta a levantar o alerta para os perigos das reparações improvisadas após temporais severos.
O acidente aconteceu na tarde de quinta-feira, quando uma rajada particularmente intensa desequilibrou Joaquim, que trabalhava em altura. À chegada dos Bombeiros Voluntários da Ortigosa, a vítima encontrava-se em paragem cardiorrespiratória. Apesar das manobras de reanimação prolongadas e do transporte urgente para o Hospital de Santo André, em Leiria, a morte foi confirmada já na unidade hospitalar. Residente em Monte Agudo, onde vivia com a mulher, Joaquim era conhecido na comunidade local, que só no dia seguinte soube que não tinha resistido. A aldeia já recuperou água e eletricidade, mas continuava sem comunicações, reflexo da dimensão dos estragos.
Este é já o sexto caso mortal na região Centro relacionado com quedas durante tentativas de reparar telhados danificados pelo mau tempo, primeiro pela depressão ‘Kristin’ e depois pela tempestade ‘Leonardo’. Na Sertã, em Palhais (Cernache do Bonjardim), um homem de 72 anos morreu após cair de uma escada que utilizava para alcançar o telhado da sua casa. No mesmo dia, mas no sul do País, em Serpa, o empresário Nuno Paixão, de 63 anos, foi arrastado pela força da água quando tentou atravessar uma linha de água de carro, sendo encontrado submerso na viatura junto à Estrada Regional 258.
Entre as restantes vítimas estão histórias igualmente dramáticas. Ricardo Teodósio, de 38 anos, morreu em Carvide, Leiria, ao ser atingido por um painel metálico enquanto tentava proteger a própria casa. Ainda na mesma localidade, outra pessoa perdeu a vida presa numa estrutura. Em Fonte Oleiro, Porto de Mós, Rogério Parente, de 58 anos, foi encontrado em paragem cardíaca junto a um parque fotovoltaico. Já em Vila Franca de Xira, um distribuidor de pão morreu quando uma árvore caiu sobre a carrinha que conduzia, num dos dias mais críticos da depressão.
A lista de vítimas estende-se ainda à Batalha, Porto de Mós, Tojal, Alcobaça e Silves, num retrato duro dos efeitos dos fenómenos meteorológicos extremos em Portugal. Muitos dos acidentes ocorreram durante tentativas de reparação de habitações, sublinhando o risco acrescido de trabalhos em altura sob condições instáveis. As autoridades reforçam os apelos à prudência e recomendam que intervenções em telhados e estruturas danificadas sejam feitas por profissionais, enquanto o País tenta recuperar de um dos períodos de intempérie mais mortíferos dos últimos anos.




