Mulher Casou Sem Permissão Familiar Há Três Anos e Pagou com a Vida, Juntamente com a Filha
Um hediondo caso de “crime de honra” chocou o Paquistão, resultando na morte brutal de uma mãe e da sua filha de apenas um ano de idade. O trágico incidente ocorreu na sexta-feira, no distrito de Mansehra, localizado na província de Khyber Pakhtunkhwa, no noroeste do país. A motivação deste ato bárbaro reside no facto de a mulher ter ousado casar-se com um homem sem a permissão da sua família, um ato considerado uma afronta à “honra” familiar em certas regiões do Paquistão.
De acordo com as informações fornecidas pela polícia local, um tio da vítima invadiu a sua residência, acompanhado por três homens armados, e abriu fogo sem piedade contra a mulher e a sua filha inocente. Ambas não tiveram qualquer hipótese de defesa e morreram instantaneamente, elevando para mais um triste número a estatística de vítimas de “crimes de honra” no país. As autoridades policiais já deram início a uma investigação para apurar todos os contornos deste crime macabro, não descartando a possibilidade de envolvimento dos próprios pais da vítima no planeamento e execução do assassinato.
A bebé assassinada era fruto do casamento da vítima com o homem que escolheu para marido, um homem que, ironicamente, se encontra atualmente a trabalhar na Arábia Saudita. Esta ausência torna a tragédia ainda mais pungente, deixando um pai destroçado pela perda da esposa e da filha, vítimas de uma tradição cruel e desumana.
Lamentavelmente, este não é um caso isolado no Paquistão. Todos os anos, centenas de mulheres são vítimas dos chamados “crimes de honra”, perpetrados por membros das suas próprias famílias. O pretexto para estes atos de violência extrema é, muitas vezes, o facto de as mulheres terem “envergonhado” a família ao casarem-se por sua livre vontade, sem a aprovação dos seus parentes masculinos, uma exigência culturalmente enraizada em algumas zonas do país, especialmente nas áreas rurais.
Para além da questão do casamento sem permissão, neste caso específico existe ainda outro fator culturalmente sensível. A mulher assassinada pertencia à linhagem Syed, considerada descendente do profeta Maomé. Em algumas comunidades do Paquistão que seguem uma interpretação estrita da lei islâmica, mulheres pertencentes a esta linhagem são esperadas casar-se apenas com homens da mesma procedência. Este aspeto poderá ter exacerbado a ira dos familiares da vítima, culminando nesta tragédia irreparável que clama por justiça e pela erradicação destas práticas arcaicas e violentas.






