Testemunho de um residente da zona levanta dúvidas sobre os procedimentos da instituição e o impacto junto das famílias
A morte de uma bebé de apenas 18 meses, que permaneceu durante várias horas no interior de uma viatura de transporte escolar em Almada, continua a provocar uma forte onda de consternação em todo o país. O caso, ocorrido na passada quinta-feira, está a ser investigado pela Polícia Judiciária, que procura apurar todas as circunstâncias que levaram à tragédia. Enquanto decorrem as investigações, multiplicam-se os testemunhos de pessoas ligadas à comunidade, que tentam compreender como foi possível que uma situação desta dimensão passasse despercebida durante tanto tempo.
Um morador da zona manifestou o seu choque e defendeu que a responsabilidade pelo sucedido não poderá ser atribuída apenas a uma única pessoa. O residente admitiu que um erro humano pode acontecer, sobretudo em situações de stress ou quebra de rotina, mas considera difícil compreender que a ausência da criança não tenha sido detetada ao longo de cerca de sete horas. “Não sei como é que estas coisas acontecem, mas a culpa não pode ser só de uma pessoa. Tantas horas sem dar por falta de uma criança não podem ser só uma pessoa“, afirmou, acrescentando que o aspeto mais difícil de aceitar é precisamente o facto de ninguém ter dado pela falta da bebé durante tanto tempo.
O mesmo morador admitiu que conhece a família da criança apenas “de vista” e mostrou-se sensibilizado com o impacto da tragédia em toda a comunidade. Na sua perspetiva, uma eventual alteração da rotina da motorista ou o cansaço poderão ajudar a explicar o esquecimento, mas não justificam que não tenham existido mecanismos de verificação capazes de evitar o desfecho fatal. “Talvez tenha havido uma falta de rotina nesse dia (…) mas mais ninguém ter dado pela falta da criança durante sete horas é que me choca“, desabafou.
Outro dos aspetos destacados pelo residente prende-se com a reputação da instituição de ensino frequentada pela bebé. Segundo afirmou, trata-se de um colégio bastante procurado pelas famílias e que “não é das mais baratas”, razão pela qual acredita que os pais estarão profundamente abalados com tudo o que aconteceu. “Está sempre cheio, montes de pais que vêm. Devem estar todos transtornados também. Se eu fosse pai, tinha agora muitas dúvidas em pôr aqui os meus filhos“, confessou, refletindo a preocupação que se instalou entre quem conhece a realidade da instituição.
Enquanto a investigação prossegue, continuam por esclarecer vários aspetos fundamentais deste caso que abalou Portugal. As autoridades ainda não divulgaram conclusões sobre eventuais responsabilidades, sendo esperado que o inquérito determine se existiram falhas nos procedimentos de transporte, controlo de presenças ou comunicação entre os intervenientes. Até lá, o caso reacende o debate sobre os mecanismos de segurança no transporte escolar e a necessidade de reforçar medidas que possam prevenir tragédias semelhantes, ao mesmo tempo que familiares, profissionais e toda a comunidade enfrentam as consequências de um acontecimento profundamente marcante.






