Jornalistas da CMTV e da RTP trocam argumentos nas redes sociais depois de um comentário sobre um direto realizado por Francisca Laranjo no incêndio de Vouzela
A cobertura mediática dos incêndios que atingiram Vouzela acabou por gerar um debate entre duas conhecidas jornalistas da televisão portuguesa. Tânia Laranjo, rosto da CMTV, utilizou as redes sociais para responder às críticas feitas por Daniela Santiago, jornalista da RTP, relativamente a um direto realizado por Francisca Laranjo, filha de Tânia e também jornalista da CMTV. A troca de mensagens rapidamente chamou a atenção dos internautas e abriu uma discussão sobre a forma como os meios de comunicação acompanham acontecimentos de grande impacto.
A polémica começou depois de Daniela Santiago comentar publicamente um direto de cerca de dez minutos realizado por Francisca Laranjo no terreno. Na sua publicação, a jornalista da RTP considerou que a intervenção não transmitia informação relevante, escrevendo: «Acabei de ver um direto de uma jovem (…) que não deu qualquer informação. Apenas dizia que nunca viu nada assim, visivelmente assustada, no meio do fogo. Fazer Jornalismo não é isto.» A observação gerou reações imediatas entre profissionais da comunicação social e utilizadores das redes sociais.
Perante essas críticas, Tânia Laranjo saiu em defesa da filha e da cobertura realizada pela CMTV, sublinhando que a sua maior preocupação continua a ser a situação vivida pelas populações afetadas pelos incêndios. «Eu também estou indignada. Com os incêndios. Com as populações que, muitas vezes, ficam sozinhas a defender as próprias casas. Com quem perde tudo de um dia para o outro», escreveu. A jornalista acrescentou ainda que a crítica faz parte do exercício da profissão, mas lembrou que quem critica também deve estar preparado para ver as suas posições analisadas.
Foi, no entanto, outra reflexão de Tânia Laranjo que acabou por gerar maior impacto. «O que acho mais curioso é outra coisa: numa cobertura desta dimensão, onde andam os grandes nomes, os seniores, os mais experientes?», questionou. A jornalista defendeu que os profissionais mais experientes deveriam estar igualmente presentes no terreno durante acontecimentos desta dimensão, concluindo que «as lições de jornalismo têm sempre mais força quando são dadas com as botas cheias de cinza do que a partir da redação», numa referência à importância da experiência direta em cenários de emergência.
A resposta de Daniela Santiago não tardou a chegar e foi publicada na caixa de comentários da própria publicação. A jornalista da RTP esclareceu que a crítica não era dirigida exclusivamente à CMTV e recordou os seus quase 30 anos de experiência no terreno. «As botas andam no terreno há 29 anos e meio, sem interrupções… Não é um problema exclusivo de um canal. Este é um problema de todos nós, jornalistas», escreveu, defendendo que o debate e a reflexão fazem parte da evolução da profissão. A troca de argumentos foi acompanhada por centenas de internautas e voltou a colocar em destaque a discussão sobre os desafios do jornalismo em situações de grande pressão e elevado impacto mediático.






