No Dois às 10, Suzana Garcia reagiu ao polémico caso de uma idosa de 96 anos alegadamente abandonada por um lar em Beja e criticou duramente a atuação do lar
O caso de uma utente de 96 anos alegadamente deixada à porta da casa do filho por um lar em Beja continua a gerar indignação. O tema foi debatido na emissão desta terça-feira do Dois às 10, da TVI, onde Suzana Garcia e o inspetor-chefe da Polícia Judiciária, Vítor Marques, condenaram a forma como a situação terá sido conduzida e defenderam que os direitos da utente deveriam ter sido salvaguardados.
Suzana Garcia aponta falhas na atuação do lar
Ao apresentar o caso, Cláudio Ramos recordou que a idosa terá sido transportada até à casa do filho, onde acabou por ser deixada, uma situação que obrigou à intervenção das autoridades para que regressasse ao lar.
Perante os factos, Suzana Garcia sublinhou que qualquer rescisão de contrato entre o lar e a utente teria de cumprir os procedimentos previstos na lei.
“A rescisão do contrato que existe tem que estar fundamentada e tem que ser feita por carta registada enviada ou para a própria ou para o responsável”, afirmou.
A advogada considerou que a intervenção da polícia foi decisiva para impedir que a situação tivesse consequências ainda mais graves.
“A polícia impôs-se e disse: ‘Não, minha senhora’. Uma pessoa não é um saco de batatas para eu chegar perto de um sítio à força”, criticou.
Família denuncia falta de cuidados
Segundo foi explicado durante o programa, o conflito entre a família e a direção do lar começou depois de a idosa ter sido hospitalizada com uma pneumonia.
Na altura, o filho apresentou uma reclamação por alegada falta de cuidados prestados pela instituição. Posteriormente, o lar terá manifestado intenção de terminar a prestação do serviço, alegando conflitos com a utente e os familiares.
Depois de a idosa regressar ao lar por indicação das autoridades, a família denunciou ainda que estava impedida de a visitar e acusou a instituição de não administrar a medicação prescrita pelos médicos.
Perante estas alegações, Suzana Garcia não escondeu a indignação.
“Se há uma prescrição médica e o médico diz que aquela medicação é para ser administrada, o lar come, cala e dá”, afirmou, defendendo que a instituição não pode decidir ignorar orientações clínicas.
Vítor Marques admite possível retaliação
Também Vítor Marques considerou que a atuação descrita pela família levanta sérias dúvidas.
O inspetor-chefe da Polícia Judiciária admitiu mesmo que poderá ter existido uma atitude de retaliação por parte da instituição, na sequência das reclamações apresentadas pelo filho da utente.
“Há aqui uma espécie de vingança para alguém que é exigente. Nós todos devemos ser exigentes”, afirmou.
Vítor Marques acrescentou que foi precisamente a insistência do filho em procurar assistência hospitalar para a mãe que terá exposto alegadas falhas nos cuidados prestados.
“Mostrou que o lar não teve atenção à patologia que ela tinha. E podia ter morrido, naturalmente. Tudo isto me parece lamentável que esta instituição se comporte desta maneira perante a exigência de um filho”, concluiu.
O caso continua a provocar forte debate. Além da polémica em torno da atuação do lar, volta a levantar questões sobre a proteção dos direitos dos idosos institucionalizados e sobre a forma como são geridos os conflitos entre famílias e instituições.






