A comentadora reagiu às imagens de um agente da PSP a consumir cocaína e apontou o dedo à hipocrisia social em torno do tema
As imagens de um agente da PSP fardado e armado a consumir cocaína estiveram em destaque no “Dois às 10”, da TVI, durante a crónica criminal. O caso gerou forte indignação pública, mas a análise de Suzana Garcia acabou por seguir um caminho diferente daquele que muitos poderiam esperar.
Perante Cristina Ferreira, a advogada começou por admitir que o tema lhe causa preocupação, sobretudo enquanto mãe. “Eu quando vejo isto penso: meu rico filho. (…) Não queria que os meus filhos consumissem drogas de forma reiterada”, afirmou.
Ainda assim, Suzana Garcia fez questão de separar a reação emocional do enquadramento legal do caso. Para a comentadora, a discussão pública acabou por se concentrar no consumo de droga, quando há outros elementos nas imagens que podem ter maior relevância criminal.
“Temos uma pessoa que é traficante de substâncias estupefacientes. Segundo, que está indiciada por um crime de violência doméstica. Terceiro, que está a gravar imagens de forma ilícita, que é o cidadão brasileiro que aqui está”, começou por apontar.
A advogada sublinhou que esses factos podem configurar crimes em Portugal. Depois de apontar essas situações, Suzana Garcia lembrou que, desde 2003, consumir droga não é crime.
Suzana Garcia frisou ainda que o ponto essencial, no caso do agente da PSP, passa por perceber se estava ou não em horário de trabalho. Na sua perspetiva, o problema disciplinar só se coloca caso o consumo tenha acontecido durante funções.
“Eu não pago um agente da autoridade, ou uma professora, ou um médico, ou um político, um salário para ele estar a consumir substâncias estupefacientes no horário laboral. Se ele o fez, está a cometer uma infração disciplinar”, afirmou.
A comentadora foi mais longe e acabou por deixar declarações que marcaram a conversa. Suzana Garcia afirmou conhecer várias pessoas com profissões de grande responsabilidade que consomem substâncias estupefacientes e mantêm vidas aparentemente organizadas.
“Eu conheço ministros, deputados, médicos (…) atores, comentadores. A esse propósito também, uma miríade de pessoas que consomem substâncias estupefacientes e que têm as suas vidas perfeitamente organizadas”, atirou, sem rodeios.
Cristina Ferreira mostrou-se mais cautelosa perante a análise da comentadora e admitiu que não se sentiria segura com profissionais de saúde ou de segurança sob o efeito de substâncias. Suzana Garcia, porém, manteve a posição e insistiu que o tema deve ser discutido sem fingimentos.
“Mas há muitos que o fazem e eu não sei”, respondeu, antes de apontar para aquilo que considera ser hipocrisia social em torno do consumo de droga.
A advogada acabou por alargar a crítica a várias áreas da sociedade. “Se assim não fosse, meus senhores, devo-vos já dizer: a Assembleia da República poderia perder alguns deputados, alguns ministros poderiam ser perdidos, alguns psicólogos, alguns advogados, alguns psiquiatras, alguns médicos, alguns atores”, afirmou.
Para Suzana Garcia, o caso deve ser analisado com menos moralismo e mais clareza sobre aquilo que a lei prevê. A comentadora defendeu que a discussão não deve ignorar a realidade do consumo em várias áreas da sociedade e terminou com uma frase direta: “Nós temos que olhar para isto com o despudor da verdade.”






