Um surto do vírus Nipah no estado indiano de Bengala Ocidental, que já provocou pelo menos duas mortes, está a gerar preocupação em vários países asiáticos…
Na sequência da situação, nações como Tailândia, Malásia e Singapura reforçaram medidas de rastreio, vigilância e testagem, devido à elevada taxa de mortalidade associada a este vírus raro, mas altamente perigoso.
Mas afinal, o que é o vírus Nipah e até que ponto representa uma ameaça global?
Um vírus transmitido por morcegos
O vírus Nipah é uma zoonose — uma doença transmitida de animais para humanos — transportada sobretudo por morcegos frugívoros. Segundo Paul Hunter, professor de medicina e especialista em microbiologia e virologia da Universidade de East Anglia, citado pela agência Reuters, este vírus foi identificado pela primeira vez há cerca de 20 a 30 anos.
Desde então, têm sido registados um ou dois surtos por ano, maioritariamente no sul da Ásia.
Uma doença extremamente grave
A infeção pelo vírus Nipah pode provocar uma doença muito severa. A taxa de mortalidade varia consoante o surto, mas situa-se geralmente entre 40% e 75% dos casos diagnosticados.
Ainda assim, os especialistas alertam que até metade das pessoas infetadas pode não desenvolver sintomas, o que significa que a taxa real de mortalidade por infeção poderá ser inferior à que é calculada apenas com base nos casos confirmados.
Como ocorre a transmissão
A maioria dos surtos está associada ao contacto direto com animais infetados ou ao consumo de alimentos contaminados por morcegos, como fruta não descascada ou bebidas não pasteurizadas.
A transmissão entre seres humanos é considerada menos frequente e parece exigir contacto próximo, sobretudo em contextos de cuidados a doentes em estado grave. No entanto, os dados científicos disponíveis ainda são limitados.
Sintomas e evolução clínica
Os sintomas iniciais são pouco específicos e podem incluir:
- Febre
- Dor de garganta
- Mal-estar geral
- Dores nos olhos
Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para encefalite, uma inflamação do cérebro que provoca febre elevada, dores de cabeça intensas e sensibilidade à luz. É esta complicação que está frequentemente associada aos desfechos fatais.
Um longo período de incubação
Um dos maiores desafios no controlo do vírus Nipah é o seu período de incubação, que pode variar entre uma a duas semanas, podendo, em casos raros, prolongar-se até 45 dias.
Este fator dificulta a deteção em aeroportos e fronteiras, uma vez que pessoas infetadas podem viajar sem apresentar qualquer sintoma durante várias semanas.
Sem vacina nem tratamento específico
Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o vírus Nipah. O acompanhamento médico baseia-se apenas em tratamentos de suporte, mantendo os doentes estáveis enquanto o organismo tenta combater a infeção.
A prevenção continua a ser a principal arma, passando por evitar alimentos potencialmente contaminados e reforçar a vigilância em zonas de risco.
Índia e Bangladesh no centro das atenções
A Índia tem registado surtos regulares nos últimos anos, geralmente um por ano. O Bangladesh, país vizinho da região afetada, apresenta também um histórico frequente da doença.
Apesar da sua gravidade, os especialistas sublinham que os surtos de Nipah tendem a extinguir-se relativamente depressa, sobretudo devido à transmissão limitada entre humanos.
Ainda assim, o elevado índice de mortalidade mantém as autoridades de saúde em alerta máximo, num mundo cada vez mais atento às ameaças de novas epidemias.





