Doença continua a espalhar-se rapidamente no leste do país, com milhares de casos confirmados e dificuldades na resposta devido à insegurança e falta de recursos
O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) continua a provocar uma grave crise de saúde pública. Pelo menos 930 pessoas morreram devido à doença, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde do país, que contabiliza 2.344 casos confirmados desde o início do atual surto. Nas últimas 24 horas foram registadas mais 37 mortes, um dos números diários mais elevados desde o aparecimento da epidemia.
Declarado oficialmente a 15 de maio no leste da RDCongo, este surto é considerado pelas autoridades como o que apresenta um crescimento mais rápido na história recente do país. A propagação do vírus tem aumentado a preocupação das equipas médicas, sobretudo nas zonas mais afetadas, onde os esforços de controlo enfrentam vários obstáculos.
O responsável pelo atual surto é o vírus Bundibugyo, uma variante menos frequente do Ébola. Ao contrário de outras formas do vírus, não existe atualmente uma vacina ou tratamento aprovado especificamente para esta estirpe, o que torna o combate à doença ainda mais complexo e aumenta os desafios para os profissionais de saúde no terreno.
A situação tem sido agravada pelos problemas de segurança na província de Ituri, uma das regiões mais afetadas. Desde o início do surto, foram registados pelo menos 12 ataques contra instalações médicas e equipas de saúde, dificultando o trabalho de prevenção, identificação de novos casos e acompanhamento dos doentes infetados.
Além da insegurança, a resposta à epidemia enfrenta também dificuldades relacionadas com a falta de recursos humanos. Muitos profissionais de saúde entraram em greve devido a salários em atraso, enquanto as autoridades confirmam que pelo menos 36 trabalhadores da área da saúde morreram infetados pelo vírus desde o início da crise.
Atualmente, segundo o Ministério da Saúde da RDCongo, 724 doentes encontram-se em isolamento e hospitalizados, enquanto as equipas de resposta continuam a reforçar as medidas de controlo nas áreas afetadas. As autoridades garantem que estão a intensificar os esforços para travar a propagação do Ébola, mas reconhecem que a combinação entre a rápida evolução do surto, a insegurança e as dificuldades logísticas continua a representar um enorme desafio.






