Eleitores de Cotrim Figueiredo, Marques Mendes e Gouveia e Melo inclinam-se maioritariamente para o candidato socialista, deixando Ventura isolado
A mais recente sondagem da Intercampus, a primeira realizada após a primeira volta das eleições presidenciais, aponta para uma vitória confortável de António José Seguro na segunda volta, com 60,8% das intenções de voto, contra 24,5% de André Ventura. O estudo, divulgado pelo Correio da Manhã e pelo Jornal de Negócios, confirma um forte movimento de convergência eleitoral em torno do candidato da área socialista, sobretudo entre eleitores de candidatos já eliminados.
De acordo com os dados, 73,4% dos eleitores de Marques Mendes e 72,6% dos apoiantes de Henrique Gouveia e Melo manifestam intenção de votar em António José Seguro na segunda volta. Em contraste, apenas 3,1% dos eleitores de Mendes e 6,8% dos de Gouveia e Melo afirmam preferir André Ventura, números que evidenciam uma clara rejeição do líder do Chega entre estes eleitorados.
Também entre os eleitores liberais se regista uma maioria favorável a Seguro, ainda que com maior resistência. 52,9% dos votantes de João Cotrim Figueiredo dizem optar pelo candidato socialista, contra apenas 10,6% que escolhem Ventura, apesar da posição de neutralidade assumida publicamente pelo antigo líder da Iniciativa Liberal. Este grupo apresenta, no entanto, uma percentagem superior de indecisos quando comparado com os restantes.
A sondagem indica ainda que os eleitores dos outros candidatos derrotados na primeira volta estão maioritariamente decididos: 78,9% optam por António José Seguro, enquanto 10,5% escolhem André Ventura. Este padrão reforça a ideia de um “voto útil” concentrado num candidato visto como mais agregador e institucional, num contexto de forte polarização política.
Com 14,8% de indecisos, a campanha entra agora numa fase decisiva, marcada pelo debate televisivo entre António José Seguro e André Ventura, agendado para terça-feira. Ainda assim, os números da Intercampus sugerem que, salvo uma reviravolta significativa, Seguro parte para a reta final com uma vantagem robusta, sustentada por uma ampla coligação informal de eleitores de diferentes áreas políticas.




