Chega ao fim esta sexta-feira, 18 de abril, a novela Senhora do Mar, um projeto que marcou um importante capítulo na carreira de Sofia Ribeiro…
A trama, gravada na deslumbrante ilha Terceira, nos Açores, não só assinalou a estreia da atriz como protagonista absoluta de uma produção, como também trouxe para o ecrã um tema de enorme sensibilidade social: a violência doméstica.
Em entrevista ao Fama Show, Sofia Ribeiro confessou que vive o fim desta etapa com emoção. “É o fim deste ciclo, de um projeto que foi tão bom de fazer, tão feliz e tão leve, apesar da história ter momentos muito dramáticos”, partilhou.
Na pele de Joana, uma mulher marcada por um passado de violência às mãos do ex-marido, a atriz enfrentou um dos papéis mais exigentes da sua carreira, mergulhando numa montanha-russa emocional ao longo de um ano de gravações. “O mais desafiante foi, de facto, a complexidade e a densidade de emoções que a minha personagem ia vivendo ao longo da história. Foram picos de muita ansiedade para ela, de muito desespero, de muita angústia, mas também de muito amor, de muita alegria, de muita generosidade”, explicou.
Apesar da dureza do enredo, Senhora do Mar destacou-se também pela forma como a comunidade açoriana — tanto na ficção como na realidade — acolheu a história e a sua protagonista. “Uma comunidade que se juntou para a receber e que a acarinhou tanto”, destacou Sofia, visivelmente grata.
Além do lado artístico, a atriz revelou a intenção clara por trás da narrativa: representar e dar voz a tantas mulheres que, tal como Joana, enfrentam situações de abuso. “Queríamos que quem passasse por algum episódio de violência, física ou psicológica, se sentisse representado e respeitado. Esse era o principal objetivo e acho que foi conseguido.”
A resposta do público confirmou essa missão. Sofia revelou ter recebido inúmeras mensagens de pessoas que se sentiram tocadas e representadas pela personagem, muitas delas partilhando as suas próprias vivências.
“Já passei por alguns episódios de violência na minha vida”
A preparação para o papel envolveu mais do que pesquisa: passou também por uma introspeção profunda. Sofia não esconde que a sua própria história de vida contribuiu para dar corpo e alma à personagem. “Eu também tenho uma bagagem, já passei por alguns episódios de violência na minha vida. Fui buscar um bocadinho de todas as referências que tinha, sem me envolver, a mim Sofia, na personagem”, revelou.
Esse processo exigiu equilíbrio, distanciamento emocional e, sobretudo, uma enorme entrega artística. “Acho que a minha experiência também trouxe aqui uma sensibilidade diferente, mas depois a ‘Joana’ tomou o rumo dela, quase como uma pessoa independente de mim.”
O último ano foi exigente, tanto profissionalmente como pessoalmente. Entre viagens frequentes para os Açores, gravações intensas e o papel de tia em tempo inteiro, Sofia teve de encontrar forças em várias frentes. “Foi difícil (…) Criei uma rede de apoio que foi importantíssima neste processo.”
Ainda assim, e apesar dos obstáculos, guarda este projeto com um carinho especial. “Uma protagonista com tanta alma, com tanta coisa para oferecer (…) Quando nós fazemos as coisas com o coração, com verdade, com entrega e com dedicação, acaba por se conseguir tudo.”
Um grupo que se tornou família
No final, para Sofia Ribeiro, Senhora do Mar ficará não só pela personagem, mas pelas relações criadas nos bastidores. “Quando se viaja várias vezes, aquelas pessoas passam a ser, de facto, as nossas pessoas, a nossa família. Acho que isso uniu muito este grupo, mas também acho que este grupo, de facto, é muito especial.”
Com esta despedida, a atriz fecha mais um ciclo com a certeza de ter dado tudo — e de ter deixado uma marca. Não só na ficção, mas na vida de quem se viu espelhado na sua personagem. Porque, tal como na vida, as grandes histórias são feitas de coragem, de superação e de entrega. E Sofia Ribeiro entregou-se, por completo.






