Adolescente confirmou em tribunal que a tia sabia que Fernando Valente não era o pai do bebé. Testemunho lançou dúvidas cruciais que contribuíram para a absolvição do empresário no caso da grávida da Murtosa
O caso do desaparecimento da grávida da Murtosa, que chocou o país, ganhou novos contornos com o depoimento da sobrinha de Mónica, a jovem grávida desaparecida. Em tribunal, a adolescente revelou que a tia sabia perfeitamente que o verdadeiro pai do bebé era Pedro e não Fernando Valente, como esta alegava publicamente. Esta confissão, feita perante juízes e jurados, foi considerada determinante para a absolvição do empresário, que até então era apontado como principal suspeito com base na sua alegada convicção de que seria pai da criança.
Segundo o relato da sobrinha, Mónica teria deliberadamente encenado uma falsa relação de paternidade com Valente, um homem conhecido por possuir uma considerável fortuna, incluindo diversos imóveis e uma sociedade agrícola. A jovem explicou que a tia terá fingido que o empresário era o pai do bebé “porque era uma pessoa com posses”, insinuando uma possível motivação financeira por trás da mentira.
Apesar de o Ministério Público ter sempre defendido que o mais relevante era a convicção de Fernando Valente — de que o filho que Mónica esperava era dele e que a jovem teria intenções de reclamar parte da sua fortuna —, o depoimento da adolescente lançou dúvidas suficientes para abalar a tese da acusação. A incerteza gerada acabou por beneficiar o arguido, levando à sua absolvição face à falta de provas concretas que sustentassem um motivo claro e inequívoco.
A declaração da sobrinha foi recebida com surpresa no tribunal e acabou por marcar um ponto de viragem no processo. A juíza terá considerado o testemunho como “credível e coerente”, reforçando a perceção de que a narrativa apresentada por Mónica ao longo do tempo não era totalmente verdadeira, minando o argumento central da acusação.
O mistério do desaparecimento de Mónica continua por resolver, mas este novo desenvolvimento coloca o foco noutras possíveis motivações e intervenientes. A investigação mantém-se ativa, agora com uma nova perspetiva, enquanto familiares e o país continuam à espera de respostas sobre o paradeiro da jovem e o desfecho desta história trágica.






