Cantor português critica investimentos do CEO do Spotify na indústria do armamento e promete retirar todos os seus álbuns do serviço de streaming
Salvador Sobral anunciou publicamente que pediu a retirada do seu álbum de estreia, Excuse Me (2016), do Spotify, reforçando um apelo ao boicote da plataforma de streaming que já tinha feito em dezembro. Apesar de o disco ainda surgir disponível em alguns perfis da aplicação — um processo que pode demorar até 30 dias — o músico garante que esta é apenas a primeira etapa e que “em breve, os outros discos também vão sair”.
A decisão foi comunicada através de uma story no Instagram, onde o vencedor da Eurovisão 2017 partilhou um email enviado pelo Spotify a confirmar o pedido de cancelamento do álbum. Na mesma publicação, Salvador Sobral sugeriu aos seguidores uma alternativa ao Spotify, apontando a Qobuz como “a plataforma de streaming mais ética”, por considerar que respeita melhor os artistas e os seus valores.
Este gesto surge na sequência de uma tomada de posição política e ética assumida pelo cantor no final de dezembro, quando partilhou um comunicado do movimento catalão “Boicote ao Spotify”. Na publicação, vários artistas apelavam ao afastamento da plataforma devido ao envolvimento do seu CEO, Daniel Ek, em investimentos na empresa de tecnologia militar Helsing, especializada em armamento baseado em inteligência artificial.
“O CEO do Spotify investiu quase 700 milhões de euros numa startup de armamento. Estamos no meio de um genocídio. Não podemos permitir que a música seja cúmplice da guerra”, lia-se no manifesto divulgado por Salvador Sobral. A mensagem defendia que tanto músicos como ouvintes devem assumir uma posição ativa, recusando apoiar financeiramente empresas associadas à indústria bélica.
Com esta decisão, Salvador Sobral junta-se a um número crescente de artistas internacionais que questionam o papel das grandes plataformas de streaming na economia global e na ética empresarial. A retirada progressiva da sua discografia do Spotify reforça a imagem do cantor como uma voz crítica e coerente, que privilegia princípios humanistas e sociais, mesmo quando isso implica abdicar de visibilidade numa das maiores plataformas musicais do mundo.
Salvador Sobral estreia-se como ator em filme que abre o Festival de Cinema de Roterdão, Descubra tudo aqui.






