Aos 98 anos, o ator mostra-se resiliente após internamento, recebe visita de Marcelo Rebelo de Sousa e deixa Portugal em alerta para os sinais do AVC
Portugal ficou em sobressalto quando foi conhecida a notícia de que Ruy de Carvalho, o ator mais velho em atividade no mundo, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no passado dia 26 de dezembro. O episódio ocorreu poucas horas antes de subir ao palco com a peça A Ratoeira, em Lisboa, levando ao seu internamento imediato num hospital privado da capital. Felizmente, a recuperação tem sido positiva e o próprio já começa a fazer planos para quando tiver alta médica, mostrando a força e vitalidade que sempre o caracterizaram.
Segundo Paula Carvalho, filha do ator, Ruy de Carvalho está a evoluir favoravelmente e não apresenta sequelas graves. “Está a falar normalmente, está lúcido e bem-disposto. Já está a combinar almoços de percebes”, revelou, em declarações à comunicação social. A família descreve-o como uma “força da natureza”, recordando que esta é mais uma batalha vencida numa vida marcada por desafios, incluindo dois cancros e uma queda aparatosa em Portalegre. Ainda assim, devido à idade, o ator permanece sob vigilância médica apertada.
O momento em que tudo aconteceu foi particularmente delicado. O alerta surgiu quando o motorista que o transportava diariamente para o teatro estranhou a falta de resposta à porta da residência. Ruy de Carvalho estava debilitado, com dificuldades em abrir a porta e sinais claros de AVC e de um pequeno enfarte. Apesar de viver sozinho por opção, algo que sempre defendeu em nome da sua independência, a família decidiu agora que, após a alta, ficará temporariamente em casa da filha, até estarem reunidas todas as condições de segurança.
Durante o internamento, Ruy de Carvalho recebeu várias demonstrações de carinho, incluindo um contacto telefónico e uma visita presencial do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Os dois conversaram, riram e partilharam momentos de grande cumplicidade, num gesto que emocionou a família. O ator manteve também contacto com amigos próximos e até com o bisneto, através de videochamada, mostrando-se emocionalmente estável e otimista quanto ao futuro.
O caso de Ruy de Carvalho volta a lançar luz sobre a importância da prevenção e da rápida identificação dos sintomas de AVC, uma das principais causas de morte em Portugal. Especialistas reforçam a regra dos “3 Fs” — Face, Força e Fala — e alertam que, perante qualquer sinal, deve ligar-se imediatamente para o 112. Apesar de os números revelarem uma ligeira descida da mortalidade, o AVC continua a afetar cerca de 25 mil portugueses por ano. A recuperação positiva do ator é um sinal de esperança, mas também um lembrete claro: a deteção precoce e os hábitos de vida saudáveis podem salvar vidas.






