A 6 de novembro de 1989 estreava na RTP1 uma das séries infantis mais queridas e icónicas da televisão portuguesa: Rua Sésamo…
Inspirada no formato norte-americano Sesame Street, a versão portuguesa conquistou rapidamente crianças (e adultos) com as suas histórias educativas, personagens inesquecíveis e canções que ficaram na memória coletiva — como a célebre “Vem brincar, traz um amigo teu…”.
Entre 1989 e 1996, foram transmitidos 440 episódios, com duração de cerca de 30 minutos cada, divididos em quatro temporadas. O sucesso foi tal que o programa chegou também a Angola, através da TPA1, tornando-se um fenómeno de língua portuguesa.
A origem do projeto
A ideia de trazer Sesame Street para Portugal nasceu em 1987, quando Carlos Pinto Coelho, Fernando Lopes e Clara Alvarez, responsáveis pela programação da RTP, iniciaram negociações com a Children’s Television Workshop (atualmente Sesame Workshop).
O projeto contou com o apoio de António Braz Teixeira, então vice-presidente da RTP, e com uma equipa multidisciplinar que incluía pedagogos, escritores, realizadores e músicos.
Em junho desse ano, foi realizado um seminário com especialistas de Portugal e dos PALOP, que ajudou a definir os objetivos educativos da série. Entre os nomes envolvidos destacam-se Maria Emília Brederode Santos (diretora pedagógica), António Torrado, Sérgio Niza, Ana Maria Vieira de Almeida e Manuel Petróneo, que seria o produtor principal.
A criação do universo da “Rua Sésamo”
O cenário recriava um bairro típico de Lisboa, inspirado no Jardim da Parada (Campo de Ourique), com elementos de modernidade como as Torres das Amoreiras ao fundo. Havia uma mercearia, uma papelaria e as casas dos moradores — um retrato familiar e acolhedor para o público infantil.
Entre as personagens mais marcantes estavam:
- Poupas, o boneco sonhador e curioso, batizado por Maria Alberta Menéres, símbolo da imaginação das crianças;
- Ferrão, o rabugento da série, criado por António Torrado, lembrando que “a vida nem sempre é maravilhosa”.
As vozes e interpretações deram vida ao universo mágico: Fernanda Montemor, Vítor Norte, Fernando Gomes, Pedro Wilson, Lúcia Maria, Alexandra Lencastre (substituída mais tarde por Rita Loureiro) e António Anjos formavam o elenco principal.
Uma produção ambiciosa e trágica
As gravações combinaram segmentos de estúdio, animação e filmagens em exteriores. O realizador Ricardo Nogueira coordenou uma equipa que viajou por Portugal e pelos países africanos de língua portuguesa, reforçando a dimensão lusófona da série.
Infelizmente, durante uma das filmagens sobre o rio Mondego, um acidente de helicóptero tirou a vida a vários membros da equipa, entre eles Helena Castanheira, produtora dos segmentos de imagem real — um episódio trágico na história da produção.
O impacto cultural
Com uma forte componente educativa, Rua Sésamo ajudou a ensinar o abecedário (incluindo as então novas letras K, Y e W), números, cores, noções de cidadania e valores como a amizade, a empatia e o respeito.
A música, a animação e os bonecos fizeram da série uma ferramenta pedagógica única, capaz de entreter e ensinar simultaneamente.
O tema de abertura, composto pelo luso-descendente Joe Raposo, tornou-se um clássico da televisão portuguesa e continua a ser recordado por várias gerações.
O legado
Mais de 30 anos depois da sua estreia, Rua Sésamo continua a ser lembrada com carinho por quem cresceu nos anos 90. O seu impacto ultrapassou o ecrã, originando revistas, livros e discos que prolongaram a magia da série fora da televisão.
Muito mais do que um programa infantil, Rua Sésamo foi um projeto educativo e cultural pioneiro que marcou a infância de milhares de portugueses — um verdadeiro símbolo de uma era dourada da televisão pública.
Entre nesta viagem connosco e recorde esta série de sucesso no vídeo a seguir.






