Jornalista condena atitude da banda britânica e acusa Chris Martin de insensibilidade e de ter promovido “bullying global”
Rodrigo Guedes de Carvalho, conhecido jornalista e cronista português, não poupou críticas à banda Coldplay e, em especial, ao vocalista Chris Martin, após o polémico episódio que envolveu o CEO da empresa Astronomer e a diretora de Recursos Humanos. O casal, filmado num momento de cumplicidade durante um concerto da banda, viu a sua intimidade exposta mundialmente, o que culminou na demissão de ambos e gerou uma tempestade mediática nas redes sociais. Na sua crónica no Expresso, Rodrigo considerou o episódio uma “vergonha” e dirigiu palavras particularmente duras ao líder da banda.
Segundo o jornalista, o verdadeiro escândalo não foi o suposto caso de traição, mas sim a forma como os Coldplay trataram o episódio, ao projetarem imagens do casal nos ecrãs gigantes do palco, perante milhares de espectadores. “É uma vergonha da máquina dos Coldplay, que achou boa ideia fazer este número de circo”, escreveu, acrescentando que a banda tentou mascarar a sua “irrelevância musical” com um momento de espetáculo invasivo e gratuito. Rodrigo apontou ainda que se tratou de um episódio com sérias repercussões na vida pessoal e profissional das pessoas envolvidas.
A crítica mais contundente foi dirigida a Chris Martin, a quem Rodrigo apelidou de “medíocre” e de ter feito um “comentário de palhacinho”. O jornalista sublinhou que sempre viu o vocalista como alguém com sorte por ter surgido numa época musical favorável, mas acusou-o agora de “insensibilidade” e até de “ignorância”. “Fico surpreendido com o grau de uma insensibilidade que, se não é, se assemelha muito à mais prosaica estupidez do ignorante”, afirmou, referindo-se à forma como Chris Martin brincou com a situação em palco.
Rodrigo Guedes de Carvalho foi ainda mais longe, acusando a banda de ter promovido “bullying global” ao expor publicamente os protagonistas do escândalo. Na sua perspetiva, o episódio reflete um fenómeno perigoso de moralismo seletivo e entretenimento barato. “Aquele homem e aquela mulher sofreram bullying global. O que torna tudo ainda mais triste é perceber que o bullying é seletivo. Dependendo das vítimas”, escreveu, criticando a plateia que aplaudiu e riu com a exposição do casal em vez de condenar o ato.
O jornalista termina a sua reflexão com um aviso sério sobre os perigos da cultura de espetáculo que se alimenta da humilhação alheia. “São vítimas de uma fúria de entretenimento bacoco que consiste em expor os outros e apontá-los ao escárnio da aldeia”, concluiu. A crónica tem gerado reações intensas nas redes sociais, dividindo opiniões entre os que aplaudem a postura crítica de Rodrigo e os que defendem o gesto da banda como um momento irreverente de palco.






