Na noite de ontem, 3 de junho de 2024, às 22h30, o Rock in Rio Lisboa foi palco de uma apoteose de guitarras e baterias, ao som da banda alemã Scorpions. A estreia das luzes noturnas no Palco Mundo não deixou nada a desejar, mantendo o nível de espetáculo que o festival tem vindo a proporcionar desde a sua morada anterior na Bela Vista.
Prestes a celebrar 60 anos de carreira, os Scorpions iniciaram a sua atuação com “Coming Home”, uma música que começa de forma suave, mas rapidamente se transforma numa explosão de som, com baterias potentes e guitarras poderosas, características distintivas da banda. A energia no palco foi contagiante desde a primeira nota, e a segunda música, “Gas in the Tank”, manteve o ritmo frenético.
O vocalista e líder da banda, Klaus Meine, de 76 anos, agradeceu ao Rock in Rio pelo convite para regressarem ao festival e expressou a sua gratidão aos fãs. “Boa noite, Lisboa. É uma honra estar aqui”, disse Meine, prometendo uma “viagem pelos anos passados”, promessa essa que cumpriu ao longo de 1h30 de espetáculo.
A cenografia do concerto foi marcada por grafismos no ecrã, videoclipes antigos, imagens de paisagens clássicas de rock e infografismos dominados por tons de vermelho, em perfeita sintonia com o espetáculo de luzes. Durante a terceira música, “Make it Real”, uma bandeira de Portugal apareceu no ecrã, servindo de pano de fundo para a canção, num tributo ao país anfitrião.
O público, composto por cerca de 80 mil pessoas, maioritariamente vestidas de preto, demonstrou a paixão pelo rock, com muitos a dançar e imitar as poses icónicas dos Scorpions. A banda, fiel ao seu estilo rockeiro, exibiu chapéus de cowboy, roupas de couro, colares com cruzes e guitarras estilizadas.
O espírito irreverente e enérgico dos Scorpions permaneceu inalterado. “Mesmo após tantos anos, os bad boys continuam selvagens”, avisou Klaus Meine antes de iniciar “Bad Boys Running Wild”. O concerto seguiu num ritmo alucinante por 45 minutos, até que chegou o momento de abrandar com “Send me an Angel”. Sem espetáculo de luzes, a voz de Meine e os violões criaram um momento íntimo, acompanhados pelo coro do público e pelas luzes dos telemóveis.
Seguiu-se “Wind of Change”, identificada pelo clássico assobio. A letra foi exibida no ecrã gigante, ajudando os fãs a cantarem em uníssono. Após estas baladas, Meine perguntou ao público se estavam prontos para mais rock’n’roll, ao que responderam com palmas e gritos, recebendo de volta “Tease Me Please Me”.
Klaus Meine manteve a interação com o público, exibindo humor e simpatia, apanhando uma bandeira de Portugal que pôs nos ombros durante “Wind of Change”, e um sapo de peluche, símbolo do evento, que colocou no pedestal do microfone.
Já com mais de uma hora de espetáculo, a energia dos Scorpions não esmoreceu. A banda continuou com um solo impressionante do baterista Mikkey Dee e clássicos como “Big City Nights”. O concerto parecia perto do fim, mas ainda havia espaço para “Still Loving You” e “Rock You Like a Hurricane”, encerrando de forma apoteótica a despedida do Rock in Rio Lisboa.
Foi uma noite memorável, que certamente ficará marcada na memória dos fãs presentes. Os Scorpions provaram que, mesmo após quase seis décadas de carreira, continuam a ser uma das bandas de rock mais vibrantes e apaixonantes do mundo.





