Quatro famílias foram retiradas das suas habitações nos últimos dois dias, em Santarém, por razões de segurança, numa intervenção de caráter preventivo levada a cabo pelo município…
A informação foi avançada pelo presidente da câmara, João Leite, que sublinhou que a atuação seguiu a estratégia municipal de agir “atempadamente, evitando situações futuras de maior dimensão”.
Segundo o autarca, equipas técnicas da autarquia estiveram no terreno a realizar levantamentos técnicos detalhados, recorrendo inclusivamente a drones em zonas de difícil acesso. Os trabalhos contaram com o acompanhamento de especialistas e permitiram identificar várias situações de risco, estando já em curso a definição de prioridades para as intervenções necessárias.
Uma das ocorrências mais preocupantes registou-se na via de Alfange, onde um deslizamento de terras provocou a interrupção do principal acesso à localidade. “Há alternativas, mas é um acesso que tem de ser reposto com maior celeridade e urgência”, afirmou João Leite.
Paralelamente aos problemas no planalto, o concelho mantém-se em “alerta máximo” devido ao aumento do caudal do rio Tejo. As três zonas ribeirinhas consideradas mais críticas já tinham sido evacuadas de forma preventiva, uma decisão que, segundo o presidente da câmara, permitiu “salvaguardar vidas”.
Bombeiros e elementos da Proteção Civil continuam no terreno a acompanhar a população e a monitorizar a subida do rio, que João Leite descreveu como “residual, mas contínua”. A prioridade, garante, continua a ser a segurança das populações. O autarca voltou ainda a apelar ao bom senso da população para o cumprimento rigoroso das normas de segurança.
Relativamente aos prejuízos causados pelo mau tempo, está em curso um levantamento de danos, que a autarquia espera concluir até ao final da próxima semana. João Leite recordou que Santarém integra a lista de concelhos abrangidos pela situação de calamidade decretada pelo Governo, o que permite mobilizar recursos públicos nacionais para a recuperação dos danos.
“Vamos mobilizar todos os recursos públicos nacionais necessários para corrigir com celeridade tudo o que esta situação crítica de calamidade causou no nosso território”, garantiu.
Desde a semana passada, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou 14 mortos em Portugal, além de várias centenas de feridos e desalojados. Entre as principais consequências do temporal contam-se a destruição de casas e empresas, quedas de árvores e estruturas, encerramento de estradas, escolas e transportes, cortes de energia, água e comunicações, bem como inundações e cheias.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas. O Governo prolongou a situação de calamidade até ao dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio que podem ascender a 2,5 mil milhões de euros.




