Apesar de níveis acima da média em muitas regiões, Mondego, Mira, Sado e Barlavento preocupam autoridades
Os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH) revelam que a quantidade de água armazenada em Portugal desceu durante o mês de agosto em todas as bacias hidrográficas. Embora a maioria apresente valores superiores à média histórica para esta época do ano, há quatro bacias que estão em risco e exigem atenção redobrada: Mondego, Mira, Sado e Ribeiras do Barlavento.
De acordo com os números divulgados, 36% das albufeiras monitorizadas registam níveis superiores a 80% da sua capacidade total, o que garante alguma margem de segurança. No entanto, 4% apresentam disponibilidades inferiores a 40%, sinal de vulnerabilidade num país que enfrenta ciclicamente problemas de seca.
As bacias do Douro e Guadiana lideram o ranking nacional, com volumes de armazenamento de 88,2% e 84,9%, respetivamente. Seguem-se o Vouga (79,5%), Cávado (79,3%), Tejo (78%), Sotavento algarvio (78,4%) e Oeste e Alentejo, ambas com 77%. Estes valores demonstram que, apesar da descida geral em agosto, muitas regiões continuam em situação confortável.
O cenário é bem diferente nas bacias em maior risco. O Barlavento algarvio apresenta apenas 48,4% da sua capacidade, seguido do Sado (51,7%), da Mira (54,5%) e do Ave (57,1%). A situação é particularmente preocupante no Algarve, onde o Barlavento, que há um ano tinha apenas 16,7% de água armazenada, continua a ser uma das zonas mais frágeis apesar da recuperação registada no último inverno.
Especialistas alertam que a gestão da água terá de ser cada vez mais rigorosa, sobretudo nas regiões do sul, onde a pressão agrícola e turística coincide com a menor disponibilidade hídrica. Para já, os números mostram que Portugal vive entre o alívio de algumas bacias bem abastecidas e a preocupação com quatro zonas em risco real de escassez, deixando claro que a seca continua a ser um desafio estrutural para o país.






