Luís Rebelo, arguido pela morte de cinco militares da GNR, nega ter feito manobras perigosas. Videovigilância de hotel captou voo a baixa altitude dias antes do desastre
O piloto do helicóptero que caiu no rio Douro, em Cambres, Lamego, no dia 30 de agosto do ano passado, matando cinco militares da GNR, é agora formalmente suspeito de realizar manobras acrobáticas perigosas nos dias que antecederam o acidente. Luís Rebelo, de 46 anos, foi constituído arguido pelos crimes de condução perigosa de meio de transporte por ar e homicídio negligente. A sua licença de voo foi suspensa e está proibido de contactar as testemunhas do processo.
De acordo com informações avançadas pelo Jornal de Notícias, a Polícia Judiciária de Vila Real está a investigar uma manobra conhecida como “rapada”, realizada pelo piloto cerca de 15 dias antes da tragédia. Esta manobra consiste numa aproximação arriscada à superfície da água ou do solo e foi captada pelo sistema de videovigilância de um hotel de luxo nas encostas do Douro. Testemunhas garantem que o helicóptero terá voado a apenas 10 metros do leito do rio, um comportamento que é considerado imprudente no setor da aviação.
Apesar dos indícios recolhidos, Luís Rebelo nega as acusações. Segundo o seu advogado, Albano Cunha, o piloto terá sido forçado a voar mais baixo do que o habitual para evitar correntes térmicas de ar que poderiam comprometer a estabilidade do helicóptero. A defesa sublinha ainda que o cliente tem uma carreira sem qualquer registo de incidentes e garante que irá provar que não houve qualquer conduta negligente.
A investigação inclui também um relatório técnico solicitado pela Airbus a uma entidade francesa, que analisou os destroços do helicóptero. As conclusões foram claras: não houve qualquer falha mecânica no aparelho, contrariando a versão do piloto, que alega ter perdido o controlo da aeronave devido a uma avaria nos comandos. Esta contradição entre os relatos do piloto e os dados técnicos reforçou a decisão do Ministério Público de o constituir arguido.
O acidente, que comoveu o país, provocou a morte de cinco elementos da GNR que estavam a bordo numa missão de vigilância florestal. A queda foi também registada pelas câmaras de vigilância de outro hotel próximo. Agora, o caso segue para julgamento, com a pressão pública a exigir respostas claras sobre as circunstâncias reais que levaram a esta tragédia. A expectativa é elevada quanto ao desfecho do processo, que poderá vir a definir novos parâmetros de segurança na aviação de helicópteros civis em Portugal.






