Ex-líder do CDS rejeita “uma imitação de Trump” e defende um Presidente que una o país
Paulo Portas anunciou publicamente que irá votar em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, contrariando a neutralidade assumida pelo CDS e pelo Governo. No seu comentário semanal na TVI, o antigo vice-primeiro-ministro justificou a escolha com elogios ao percurso político de Seguro e críticas diretas a André Ventura, a quem classificou como “uma imitação de Trump” que Portugal deve evitar.
“Votarei no candidato moderado”, afirmou Paulo Portas, sublinhando que António José Seguro foi “um político decente num momento muito difícil” da história recente do país, referindo-se ao período da intervenção da troika. Portas recordou que, enquanto integrava o Governo liderado por Pedro Passos Coelho, contou com a colaboração do então líder do PS para viabilizar acordos importantes, como a concertação social com a UGT e medidas fiscais relevantes, incluindo a descida do IRC.
O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa frisou que está em causa a eleição do Chefe de Estado, e não de um Governo, defendendo que o critério essencial deve ser a capacidade de representar a nação e unir os portugueses. Nesse sentido, considerou que o outro candidato à Presidência “não é capaz de unir o que quer que seja, porque só sabe dividir”, embora sem o nomear diretamente.
Paulo Portas manifestou ainda preocupação com o papel do Presidente da República nas áreas da política externa e da defesa, sublinhando que não quer “uma política externa de facção” nem um comandante supremo das Forças Armadas que faça política dentro das instituições militares. Criticou também a ideia defendida por André Ventura de permitir filiação partidária nas forças de segurança: “Isso não é polícia, é milícia, e eu não quero milícias dentro das polícias”.
A terminar, Portas destacou o humanismo como linha vermelha na sua escolha. Admitindo divergências doutrinárias com António José Seguro, foi categórico ao afastar-se do líder do Chega: “Não quero o país dividido por cores, confissões religiosas ou nacionalidades. Não quero tribos contra tribos. Escusamos de ter uma imitação de Trump em Portugal”.
A posição de Paulo Portas junta-se à de outras figuras do centro-direita que já manifestaram apoio a António José Seguro, como Assunção Cristas, Carlos Moedas e Pedro Duarte, apesar da decisão oficial do PSD e do CDS de não apoiarem qualquer candidato na segunda volta. Também este sábado foi divulgada uma carta subscrita por cerca de 250 personalidades não socialistas a favor de António José Seguro.
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