Autoridades de Friburgo descartam terrorismo e descrevem o autor do ataque como um homem de 60 anos, “marginal e perturbado”, que estava desaparecido.
A tranquilidade da região de Friburgo, na Suíça, foi brutalmente interrompida por um cenário de horror que resultou na morte de seis pessoas e deixou outras cinco feridas, duas delas em estado grave. O incidente ocorreu num emblemático autocarro postal amarelo, um símbolo da pontualidade e segurança helvética, na localidade de Kerzers. De acordo com as investigações preliminares apresentadas pelo procurador Raphael Bourquin, o fogo não foi um acidente mecânico, mas sim um ato deliberado provocado por um cidadão suíço de 60 anos que se imolou no interior do veículo, espalhando o pânico entre os passageiros que regressavam a casa no final da tarde.
As autoridades suíças agiram rapidamente para esclarecer as motivações do crime, afastando categoricamente qualquer ligação a células terroristas. O perfil do autor, residente em Berna, revela uma figura isolada: descrito como uma “pessoa marginal e perturbada”, o homem tinha sido dado como desaparecido pela família pouco antes do ataque. Testemunhas oculares relataram que o indivíduo entrou no autocarro transportando vários sacos e, num gesto repentino, pulverizou-se com um líquido inflamável antes de atear o fogo, acreditando-se que o próprio autor esteja entre as vítimas mortais carbonizadas.
O impacto desta tragédia atravessou fronteiras, motivando uma reação oficial do Governo português. Através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Portugal enviou uma mensagem de “profundo pesar” e solidariedade ao povo suíço, endereçando condolências às famílias afetadas. Este gesto sublinha a forte ligação entre as duas nações, dada a vasta comunidade lusófona residente na Suíça, que frequentemente utiliza este tipo de transporte regional para ligar as zonas rurais e montanhosas aos grandes centros urbanos.
Atualmente, as equipas de perícia continuam a trabalhar no local para identificar formalmente todas as vítimas e analisar os vestígios do acelerante utilizado. O serviço de autocarros postais, famoso pela sua buzina de três tons e pela cor amarela vibrante, vive hoje um dos capítulos mais sombrios da sua história centenária. Enquanto a Suíça tenta processar este ato de desespero individual com consequências coletivas devastadoras, a segurança nos transportes públicos volta a estar no centro do debate nacional, num país onde o civismo é, habitualmente, a regra de ouro.





