Especialistas admitem retrocessos após a covid-19 e alertam para falhas graves no acesso a vacinas e equipamentos médicos
O mundo poderá estar hoje menos preparado para enfrentar uma nova pandemia do que estava após o pico da covid-19. O alerta foi deixado por um painel internacional de peritos que, a pedido do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde, analisou durante vários anos a capacidade global de resposta a futuras emergências sanitárias. As conclusões apontam para um cenário preocupante, marcado por retrocessos em áreas consideradas fundamentais, como o acesso rápido a vacinas, medicamentos e outros recursos médicos essenciais.
Segundo os especialistas, muitos países perderam o impulso criado durante a pandemia de covid-19 e deixaram cair investimentos importantes em saúde pública e preparação hospitalar. Apesar das promessas feitas durante os anos mais críticos da crise sanitária, vários sistemas de saúde continuam frágeis, com dificuldades em garantir reservas estratégicas de equipamentos, capacidade de resposta rápida e coordenação internacional eficaz em caso de novo surto global.
Outro dos pontos destacados no relatório prende-se com o aumento das desigualdades no acesso a vacinas e tratamentos. Os peritos alertam que muitos países mais pobres continuam dependentes das grandes potências para obter medicamentos e tecnologia médica em situações de emergência. Além disso, existe preocupação com a redução do financiamento internacional destinado à prevenção de futuras pandemias, numa altura em que continuam a surgir novas ameaças sanitárias em diferentes regiões do mundo.
A análise do painel internacional deixa ainda um aviso claro: a memória coletiva da covid-19 está a desaparecer demasiado depressa, levando governos e instituições a baixar a guarda. Os especialistas defendem que a preparação para futuras pandemias deve ser tratada como prioridade permanente e não apenas em momentos de crise. O objetivo passa por evitar que o mundo volte a enfrentar o caos vivido nos últimos anos, numa altura em que muitos profissionais de saúde admitem que uma nova emergência sanitária poderá surgir mais cedo do que se imagina.





