“Cheira a um estranho desnorte, sensação de desrespeito pelo espectador”
Nuno Azinheira, na sua crónica semanal na revista ‘Nova Gente’, debruçou-se sobre o sucesso do programa “A Sentença”, emitido pela TVI. O cronista destacou a forma como José Eduardo Moniz encontrou uma nova “galinha dos ovos de ouro” na programação do canal.
“Quando a 15 de abril deste ano se estreou A Sentença, a seguir ao jornal da hora do almoço, percebeu-se que a versão 2.0 de O Juiz Decide era fraquita, mas ia pegar de estaca. E pegou. Nunca mais deixou de ser líder”, começou por escrever Azinheira, sublinhando o impacto imediato do programa na audiência.
A crónica detalha a estratégia da TVI para maximizar o sucesso de “A Sentença”, testando o programa em vários horários. “Vai daí, a TVI tem vindo a testá-la em vários horários. Não, não é a testá-la, é a acumulá-la. Mantém a seguir ao almoço, normalmente um episódio, embora já tenha dado dois seguidos. Já passou cumulativamente ao fim da tarde com mais dois episódios, para tentar, sem sucesso, combater as novelas da SIC antes do jantar”, explicou Azinheira.
Ele mencionou ainda que o programa foi utilizado para cobrir diferentes espaços na grelha de programação, incluindo sábados e domingos, mas nem sempre com os resultados esperados. “No sábado tapou o final do Primeiro Jornal e o Alta Definição com dois episódios seguidos (com relativo sucesso) e tentou a sua sorte no domingo antes do Somos Portugal para tentar anular o Festival da Comida Continente na SIC. Não correu bem. É uma estratégia como outra qualquer, convenhamos, mas lá que cheira a um estranho desnorte, cheira”, observou.
Azinheira questionou a lógica por trás da constante mudança de horários para um programa consolidado como “A Sentença”. “Agora, o que leva um programa consolidado como A Sentença, que é do agrado da maioria dos espectadores que vê televisão na sua hora de exibição, a saltitar de hora em hora?”, perguntou, concluindo que tal prática pode provocar desgaste no formato e desrespeito pelo espectador.
O cronista também fez uma comparação irónica com a justiça portuguesa, sugerindo que se o sistema judicial fosse tão eficiente quanto o “Tribunal de Queluz de Baixo” (a sede da TVI), muitos problemas seriam resolvidos mais rapidamente. “Moniz bem dá ideias. Depois não se queixem”, finalizou Azinheira.
Esta análise revela as complexidades e desafios enfrentados pelas emissoras de televisão na busca por manter a liderança de audiência, bem como as implicações das estratégias adotadas para alcançar esse objetivo.






