Mau tempo volta a agravar-se após a depressão Kristin, que já fez oito mortos em Portugal
Portugal continental prepara-se para a chegada de uma nova depressão atmosférica, prevista para entrar na próxima madrugada pela Grande Lisboa, trazendo consigo chuva forte, vento intenso e risco de cheias, segundo os mais recentes modelos meteorológicos. O novo episódio de mau tempo surge numa altura em que o país ainda tenta recuperar dos estragos provocados pela depressão Kristin, que deixou um rasto de destruição significativo.
Este sábado ficou marcado por mais duas mortes, ambas ocorridas durante trabalhos de reparação em telhados danificados pelo temporal. A primeira vítima, um homem de 73 anos, morreu em Torre, Reguengo do Fetal, no concelho da Batalha, cerca das 14h00, após cair enquanto repunha telhas arrancadas pelo vento. A segunda morte ocorreu pelas 17h30, em Bárrio, Alcobaça, envolvendo um homem de 66 anos. Com estes óbitos, sobe para oito o número de vítimas mortais associadas à depressão Kristin.
Perante a gravidade da situação, a GNR reforçou os apelos à população, pedindo que evite trabalhos em altura e que deixe reparações estruturais para profissionais qualificados. Atualmente, 59 concelhos encontram-se em situação de calamidade, e a previsão de vários dias consecutivos de chuva aumenta o risco de inundações e cheias, especialmente nas zonas ribeirinhas e em áreas já fragilizadas.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou a importância do envolvimento das Forças Armadas nas operações de socorro, sobretudo ao nível logístico, defendendo ainda a criação de uma comissão técnica independente para avaliar os estragos. Já o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, garantiu existir um “forte empenhamento militar”, com meios como botes, equipamentos de desobstrução e apoio à retirada de populações, caso seja necessário. Coimbra é uma das regiões mais sensíveis, devido às descargas nas barragens, nomeadamente na Aguieira.
Entretanto, os efeitos do mau tempo continuam a fazer-se sentir um pouco por todo o país. Cerca de 198 mil clientes da E-Redes permaneciam sem eletricidade, maioritariamente no distrito de Leiria. Quase 500 pessoas deram entrada nas urgências do Hospital de Leiria, sobretudo com ferimentos resultantes de acidentes durante limpezas e reconstruções. Estradas como a A24 chegaram a estar cortadas, houve realojamento de dezenas de pessoas na Marinha Grande e a PSP alerta para a circulação de falsas campanhas solidárias. A situação permanece em constante monitorização pelas autoridades.






