Noélia Pereira é hoje uma das figuras mais marcantes dos reality shows em Portugal…
Conhecida pela frontalidade, ética de trabalho incansável e personalidade forte, a empresária algarvia conquistou o público pela autenticidade. No entanto, por detrás da imagem determinada que mostra em televisão, esconde-se uma história de vida profundamente marcada pela dor, pela perda e pela superação.
Ao revisitar a sua “Curva da Vida”, apresentada no Big Brother 2020, torna-se evidente que a resiliência de Noélia foi construída desde muito cedo, num percurso longe de facilidades. A infância não foi de abundância, mas foram as tragédias familiares que deixaram as cicatrizes mais profundas.
A primeira grande perda foi a do irmão, que nasceu com Trissomia 21 e faleceu aos 22 anos, vítima de uma broncopneumonia aguda. A empresária recordou, emocionada, o sofrimento vivido pela família perante a fragilidade do irmão. “Ele sempre teve muitos, muitos problemas. Nós víamos que ele estava num estado de sofrimento e nós não podíamos fazer nada. Ele não falava, não tinha como se queixar”, partilhou, revelando a impotência que a acompanhou durante anos.
Contudo, nada a prepararia para o golpe mais duro da sua vida: a morte súbita do pai, aos 56 anos. Um episódio traumático que Noélia descreveu com detalhe arrepiante. Numa manhã aparentemente normal, recebeu uma chamada desesperada do pai, que já sofria de problemas cardíacos. “Era 9 da manhã, recebo uma chamada do meu pai e ele chamou o 112 para mim (…) larguei tudo e fui ter com ele”, contou.
Apesar de ter chegado antes da ambulância, o desfecho foi inevitável. “Quando cheguei não havia nada a fazer, ele estava caído inanimado.” A dor foi agravada por um sentimento de culpa que a perseguiu durante muito tempo. Noélia acreditava ser a “salvadora” do pai e sentiu que falhou no momento mais crucial. “Senti-me impotente, senti que não tinha feito tudo aquilo que pude (…) ele ligou para mim porque sabia que eu era a pessoa que podia ajudar mais rapidamente.”
Como se não bastasse, a morte ocorreu em plena pandemia de Covid-19, impedindo uma despedida digna. A ausência de um funeral tradicional e o distanciamento imposto pelas restrições deixaram feridas abertas. “A Covid roubou-nos muita coisa (…) roubou-me a despedida que eu gostaria de ter feito ao meu pai. Não tive oportunidade de lhe dizer que gostava muito dele”, lamentou.
Estas perdas transformaram profundamente a forma como Noélia encara a vida. Assumidamente viciada em trabalho, a algarvia prometeu a si própria abrandar o ritmo e aproveitar mais cada momento. “Quando vemos alguém partir tão cedo e que trabalhou tanto, começamos a pensar de outra maneira”, confessou, garantindo que decidiu viver de forma mais consciente e plena.
Apesar da tristeza de saber que o pai não a pôde levar ao altar — entretanto, Noélia já casou — a empresária mantém a esperança num futuro feliz, centrado na família e no sonho de ser mãe. Uma história de dor, sim, mas também de coragem, que ajuda a explicar a força e a autenticidade que conquistaram Portugal.






