Conversas encriptadas com alegados membros de rede criminosa estarão a dificultar o avanço do processo conduzido pela Polícia Judiciária
O cantor Nininho Vaz Maia voltou a estar no centro das atenções mediáticas depois de novos desenvolvimentos no processo judicial que investiga uma alegada rede internacional de tráfico de droga. Dez meses após o seu nome ter sido associado à investigação, surgem agora informações de que o telemóvel do artista, apreendido em maio do ano passado, poderá estar a atrasar uma eventual acusação por parte do Ministério Público. Em causa estarão conversas realizadas através de aplicações encriptadas que dificultam o acesso das autoridades às comunicações.
Segundo informações divulgadas pelo Correio da Manhã, o dispositivo apreendido ao cantor revelou contactos com alegados membros de uma organização criminosa através de plataformas como Telegram e Sky, aplicações conhecidas por oferecerem sistemas avançados de privacidade e encriptação de mensagens. Estas ferramentas permitem comunicações protegidas, o que tem tornado mais complexa a análise das conversas por parte dos investigadores.
A investigação está a ser conduzida pela Polícia Judiciária e terá reunido indícios que apontam para um possível envolvimento do artista desde 2021. Entre os elementos analisados encontra-se uma alegada deslocação a Espanha, durante a qual o cantor poderá ter sido utilizado como “correio” no transporte de droga. As suspeitas incidem sobre crimes de tráfico de estupefacientes e associação criminosa, embora o processo ainda esteja numa fase preliminar.
De acordo com um despacho citado pela imprensa, Nininho Vaz Maia é mencionado como um dos principais clientes de uma rede internacional de tráfico de cocaína. As autoridades suspeitam que o cantor pudesse desempenhar um papel na distribuição da substância em território espanhol, recorrendo a meios logísticos próprios para transportar quantidades significativas. No entanto, os investigadores acreditam que o artista não teria uma posição de liderança na estrutura. O advogado de defesa, Carlos Melo Alves, confirmou que o cantor ainda não foi chamado a prestar declarações formais no âmbito do processo.
Recorde-se que as buscas à casa do músico ocorreram a 6 de maio de 2025, quando inspetores da Polícia Judiciária encontraram o artista em casa com os filhos antes de estes seguirem para a escola. Na operação foram apreendidos cerca de quatro mil euros em numerário e o telemóvel do cantor. Apesar da investigação em curso, o artista mantém uma agenda profissional intensa e continua a ser um dos nomes mais requisitados da música portuguesa, estando confirmado no cartaz da FATACIL, onde atuará a 29 de agosto ao lado de artistas como Tony Carreira, Plutónio e Sara Correia. O processo continua em fase de inquérito, aguardando novos desenvolvimentos das autoridades judiciais.






