Silvi Mubiala, de 33 anos, morreu na passada terça-feira, vítima de um alegado disparo efetuado por agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), em meio aos tumultos durante a greve dos taxistas, no bairro CAOP B, em Viana, periferia de Luanda…
A sua morte causou comoção nacional, sobretudo depois da divulgação de um vídeo nas redes sociais, onde o seu filho, em pranto, se senta ao lado do corpo da mãe.
A tragédia chocou não apenas a família, mas também a comunidade local, que acusa as forças policiais de uso excessivo de força. Silvi teria saído à rua para procurar o filho perdido no meio da confusão e acabou por ser atingida a tiro, supostamente na cabeça. Testemunhas afirmam que os disparos foram feitos à queima-roupa.
“A minha família está desamparada”
João Panzo, viúvo de Silvi e pai das seis crianças agora órfãs, revelou à agência Lusa que não estava em Luanda no momento dos factos e que até hoje desconhece em detalhe como tudo aconteceu. Com voz embargada, relatou que foi um dos filhos quem presenciou a morte da mãe.
“Ela era quem sustentava a casa. Agora estamos desamparados”, desabafou, segurando a filha bebé de sete meses ao colo.
Silvi era comerciante e o principal sustento da família. A casa onde viviam é arrendada e já havia dívidas acumuladas junto ao senhorio.
Vizinhos e familiares pedem justiça
O irmão da vítima, Mubiala Vítor, confirmou que a morte ocorreu no segundo dia da greve dos taxistas — marcada por tumultos e atos de vandalismo — e critica o que classifica como “irresponsabilidade” por parte dos agentes da PIR.
Catarina Francisco, vizinha de Silvi, afirmou que viu o momento do disparo:
“Ela estava apenas à procura do filho, não era manifestante. Levou um tiro na cabeça.”
Esperança Romão, que também afirma ter presenciado o momento, chorou ao relatar:
“Queremos justiça! Ela nunca roubou ninguém, era apenas uma mãe batalhadora. Não aguento mais esta dor.”
Bairro em choque
Moradores da Rua Guarda Passagem relataram que o clima era de “guerra” no momento da tragédia. No local, ainda são visíveis vestígios de sangue.
Ângelo Pemba, outro morador, disse:
“Ela não foi protestar. Foi apenas buscar o filho. O exército disparou e atingiu a nossa vizinha. Queremos justiça.”
A comoção mobilizou dezenas de vizinhos e amigos, que se juntaram na casa da família para prestar apoio e solidariedade.
Apelo à sociedade e autoridades
A família, sem recursos e sem meios para realizar o funeral, apela à solidariedade da sociedade civil e à intervenção das autoridades para garantir justiça e apoio às crianças agora órfãs.
Alegria Alberto, irmão do viúvo, reforçou:
“O João não tem emprego fixo, vivia de biscates e da ajuda da esposa. Agora precisa de apoio urgente.”
Segundo números oficiais, pelo menos 22 pessoas morreram durante os protestos dos últimos dias em Luanda e noutras províncias de Angola. A morte de Silvi Mubiala tornou-se um dos símbolos mais dolorosos deste período de violência urbana.






