Jorge Esteves era o condutor da carrinha e foi o único sobrevivente do violento acidente que matou o cantor
A 26 de agosto de 1988, Carlos Paião perdeu a vida num violento acidente de viação, aos 30 anos. O cantor e compositor seguia numa carrinha Datsun Urvan com o técnico de som Carlos Miguel Sousa e Jorge Esteves, então com 25 anos, quando ocorreu uma colisão frontal com um camião, na Estrada Nacional 1, na zona de Rio Maior. Jorge era o condutor e acabou por ser o único sobrevivente.
Em declarações recordadas pela revista “Sábado”, Jorge Esteves contou que, nesse dia, tinha assumido o volante a pedido de Carlos Paião. Depois de passarem pelo Carregado, onde tirou a camisola devido ao calor, seguiu viagem enquanto os dois amigos dormiam. Cerca de 15 minutos depois, tudo mudou. “Acordei no alcatrão, com um monte de pernas à minha volta, cheio de sede”, recordou, descrevendo o momento em que recuperou a consciência após o embate.
O técnico de som foi transportado para o hospital e passou por quatro unidades de saúde. A gravidade dos ferimentos chegou a levar os médicos a ponderar a amputação de um pé. Na ambulância, Jorge ainda alertou os bombeiros para a presença dos outros dois ocupantes da carrinha. Quando lhe disseram que Carlos Paião e Carlos Miguel Sousa tinham sido encaminhados para Vila Franca de Xira, sentiu algum alívio, sem imaginar que ambos tinham perdido a vida.
Jorge só soube da morte dos amigos dois dias depois, numa decisão tomada pela mulher, Elsa, para o proteger enquanto recuperava. A mulher de Carlos Paião chegou entretanto a falar com Elsa e garantiu-lhe que sabia que Jorge não tinha tido culpa no acidente. Carlos Paião, autor de temas como “Playback” e “Pó de Arroz” e vencedor do Festival da Canção em 1981, morreu naquele dia, deixando uma marca profunda na música portuguesa e uma história que continua a ser recordada décadas depois.






