Morreu esta quinta-feira, aos 83 anos, o aclamado encenador norte-americano Robert (Bob) Wilson, uma das figuras mais influentes do teatro experimental mundial…
A notícia foi confirmada pela Watermill Center, organização criada pelo próprio, através de um comunicado na sua conta oficial de Instagram.
Wilson faleceu poucos meses depois de ter estreado, em março deste ano, a sua mais recente peça, Since I’ve Been Me, em Lisboa — uma obra que demonstrava o seu fascínio por Portugal e, em particular, por Fernando Pessoa.
“Senti uma forte afinidade com ele, senti liberdade e senti-me confortável nesse mundo”, disse Wilson à revista SÁBADO, referindo-se ao poeta. O título da peça é uma adaptação do verso de Álvaro de Campos, heterónimo de Pessoa: “It’s been a long time since I’ve been me”.
Uma vida de vanguarda e liberdade artística
Nascido em 1941, no Texas, Robert Wilson mudou-se nos anos 1960 para Nova Iorque, onde viria a construir uma das carreiras mais impactantes do teatro contemporâneo. Com uma linguagem visual inconfundível e um trabalho coreográfico marcado pela lentidão e simbolismo, Wilson desafiou as convenções do teatro tradicional ao longo de décadas, com obras como Einstein on the Beach (em parceria com Philip Glass), The CIVIL warS e The Black Rider (com Tom Waits).
Foi também fundador do Watermill Center, em Nova Iorque, um espaço criativo multidisciplinar que apoiou centenas de artistas e projetos experimentais por todo o mundo.
Portugal na rota artística de Wilson
A estreia de Since I’ve Been Me em Lisboa, em março, marcou não só o regresso do encenador a palcos portugueses como também reforçou o seu apreço por autores lusófonos. Em entrevista, Wilson revelou que encontrou em Fernando Pessoa um reflexo de si próprio, e descreveu a sua criação como um “espaço de liberdade artística e pessoal”.
Uma perda para a cultura mundial
Com a sua morte, o mundo do teatro perde um criador revolucionário, um artista que viu no palco uma tela para o inconsciente, para o silêncio e para o estranhamento. Bob Wilson deixa um legado que atravessa disciplinas — da ópera à performance, da escultura à arquitetura — e um impacto que perdurará muito além da sua ausência física.
A cultura mundial despede-se de um génio. Mas, como ele próprio disse uma vez:
“O que interessa não é o que vemos, mas o modo como vemos.”






