Fadista de referência partiu aos 79 anos, após semanas de luta pela saúde. Admiradores e figuras públicas unem-se na homenagem a uma das grandes vozes da tradição portuguesa
O fado perdeu esta sexta-feira uma das suas vozes mais autênticas e emocionantes. Maria da Nazaré Martins, conhecida apenas por Maria da Nazaré, faleceu aos 79 anos, deixando um legado de décadas ao serviço do mais português dos estilos musicais. A notícia da sua morte foi avançada pela Antena 1 e confirmada junto do Museu do Fado, gerando de imediato uma onda de consternação entre os amantes do género e a comunidade artística.
A artista tinha estado internada durante grande parte do mês de junho, tendo partilhado nas redes sociais mensagens de esperança e agradecimento aos fãs. No dia 9 de junho, Maria da Nazaré escreveu na sua página oficial de Facebook que vivia “um pesadelo”, mas mostrava-se resiliente. A 17 de junho, revelou que aguardava uma intervenção cirúrgica. Já no final do mês, anunciou que tinha regressado a casa, dizendo: “Foi um caso complicado e vai continuar a ser durante uns tempos. Em breve volto ao nosso convívio”. Infelizmente, a esperança não foi suficiente para travar o desfecho trágico.
Reconhecida como uma intérprete de enorme emoção e autenticidade, Maria da Nazaré era presença frequente em casas de fado, programas de televisão e festivais, onde encantava com uma voz sentida, fiel à tradição lisboeta. A sua carreira estendeu-se por várias décadas e conquistou o respeito não só do público como também de figuras consagradas do meio artístico.
Nas redes sociais, multiplicam-se agora as reações emocionadas à sua morte. “O fado está de luto”, escreveram inúmeros fãs e colegas de profissão. O Museu do Fado já lamentou publicamente a sua partida, referindo-se a Maria da Nazaré como “uma guardiã da tradição, dona de uma voz marcante e de uma alma que transbordava cada verso que cantava”.
Maria da Nazaré deixa um lugar insubstituível na história do fado. Com a sua partida, Portugal perde uma voz que sabia traduzir em cada palavra a alma do povo. A data e local das cerimónias fúnebres ainda não foram divulgados. Enquanto isso, os acordes do fado soam mais tristes, mas carregados de gratidão por tudo o que Maria da Nazaré deu à música portuguesa.






