Artista plástico deixa marca profunda no design, na cultura visual portuguesa e na resistência política
Morreu esta terça-feira José Santa-Bárbara, um dos nomes mais relevantes das artes visuais e do design em Portugal, autor de obras marcantes que atravessaram várias gerações. Reconhecido pela criação de nove capas de discos de José Afonso e pelo emblemático logótipo da CP – Comboios de Portugal, o artista deixa um legado incontornável na identidade cultural e gráfica do país.
Nascido em 1936, nas Caldas da Rainha, José Santa-Bárbara desenvolveu uma carreira vasta e multifacetada, destacando-se não apenas no design gráfico, mas também na pintura, escultura, ilustração e medalhística. O seu trabalho tornou-se particularmente visível no espaço público através de intervenções artísticas em locais emblemáticos, como as estações de Entrecampos e Santa Apolónia do Metropolitano de Lisboa, bem como em várias infraestruturas ferroviárias.
A ligação à obra de José Afonso permanece uma das suas contribuições mais simbólicas para a cultura portuguesa, ajudando a construir visualmente parte da identidade de um dos maiores nomes da música de intervenção em Portugal. Paralelamente, o logótipo da CP consolidou-se como uma das imagens institucionais mais reconhecíveis do país.
Militante comunista desde jovem, José Santa-Bárbara esteve também ligado à resistência antifascista, participando no MUD Juvenil e em importantes movimentos artísticos e políticos durante o Estado Novo. O seu percurso artístico esteve profundamente ligado ao compromisso cívico e ideológico, sendo frequentemente associado a causas sociais e políticas.
Com a sua morte, Portugal perde uma figura central das artes visuais contemporâneas — um criador cuja obra ajudou a moldar tanto a memória gráfica nacional como importantes símbolos culturais e políticos. O seu legado continuará presente nas capas, nos espaços públicos e nas imagens que ajudou a eternizar.



