Bailarino e coreógrafo tinha 87 anos e deixou marca nos palcos do Parque Mayer e na cultura lisboeta…
O mundo das artes em Portugal está de luto com a morte de Mário Valejo, bailarino e coreógrafo que faleceu na quinta-feira, aos 87 anos. Natural de Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, o artista vivia atualmente na Casa do Artista, em Lisboa, onde partilhava residência com a irmã, a fadista Maria Valejo, num espaço dedicado ao acolhimento de profissionais do meio artístico.
Figura marcante do teatro de revista, Mário Valejo construiu uma carreira sólida nos palcos lisboetas, em especial no emblemático Parque Mayer, onde participou em diversos espetáculos de grande sucesso. Entre os seus trabalhos mais reconhecidos destacam-se produções como “Tudo à Mostra”, em 1966, no Teatro Maria Vitória, e “Sete Colinas”, em 1967, no Teatro ABC, ao lado de nomes consagrados como Camilo de Oliveira e Ivone Silva.
Ao longo da sua carreira, Valejo destacou-se não apenas como intérprete, mas também como coreógrafo, assumindo um papel ativo na dinamização da cultura popular. A sua ligação às marchas populares de Lisboa foi particularmente relevante, tendo sido coreógrafo da Marcha de Benfica, contribuindo para a identidade visual e artística de um dos eventos mais emblemáticos da cidade.
Para além da vertente artística, o bailarino teve também um papel importante na vida cultural local, tendo desempenhado funções como animador cultural da Junta de Freguesia de Benfica durante vários anos. Este envolvimento reforçou a sua ligação à comunidade e à promoção das tradições populares, tornando-o uma figura acarinhada dentro e fora dos palcos.
Nos últimos anos, Mário Valejo residia na Casa do Artista, onde encontrou apoio e companhia entre outros profissionais das artes. A sua morte representa o fim de um percurso dedicado à dança, ao teatro e à cultura popular portuguesa, deixando um legado ligado à história do teatro de revista e às tradições festivas de Lisboa.






