Caetano Veloso e Ministério da Cultura prestam homenagem emocionada ao artista
A música brasileira está de luto. Jards Macalé, um dos nomes mais marcantes da vanguarda cultural do Brasil, morreu esta segunda-feira, aos 82 anos. A notícia foi confirmada pela própria equipa do cantor através das redes sociais, onde revelaram que o músico tinha sido submetido a uma cirurgia. Embora as causas oficiais não tenham sido divulgadas, o portal g1 adiantou que Macalé estava internado no Rio de Janeiro devido a um enfisema pulmonar e terá sofrido uma paragem cardíaca. A despedida veio acompanhada de uma mensagem tocante: Macalé acordou da cirurgia a cantar “Meu Nome é Gal”, símbolo da energia e humor que sempre carregou consigo.
Ao longo de mais de cinco décadas, Jards Macalé tornou-se uma figura incontornável na música e na cultura brasileiras. Experimental, livre e avesso a convenções, navegou por diferentes géneros e movimentos artísticos, colaborando com alguns dos maiores nomes do país. O Ministério da Cultura do Brasil lamentou profundamente a sua morte, destacando-o como um “artista fundamental para a música brasileira”, cuja obra atravessa gerações ao manter a integridade estética e uma visão crítica que influenciou músicos e fãs em todo o mundo. A mensagem oficial reforça aquilo que tantos reconhecem: Macalé foi um farol de liberdade e autenticidade.
A morte do músico também gerou reações emocionadas entre artistas que fizeram parte da sua trajetória. Caetano Veloso, um dos nomes mais próximos de Macalé, partilhou um desabafo doloroso nas redes sociais. Jards foi diretor musical e guitarrista no emblemático álbum Transa (1972), gravado por Caetano durante o exílio em Londres. “Sem Macalé não haveria Transa. Estou a chorar porque ele morreu hoje. Foi o meu primeiro amigo carioca da música”, escreveu o cantor, sublinhando a importância insubstituível do colega e amigo na sua carreira e na própria história da música brasileira.
A despedida de Jards Macalé deixa um vazio irreparável, mas também um legado artístico que permanece vivo: canções eternas, um espírito irreverente e a marca de um criador que nunca temeu desafiar padrões. Como a sua equipa escreveu no anúncio da morte, “nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte”. E é através dela que Macalé continuará presente, eterno — exatamente como desejava.






