Poeta, ensaísta e tradutor, Fernando Guimarães deixou um legado literário ímpar que marcou profundamente a poesia portuguesa contemporânea. A editora Afrontamento lamenta a perda do autor que publicou durante décadas
O poeta, ensaísta e tradutor português Fernando Guimarães faleceu esta sexta-feira, aos 97 anos, conforme anunciou a editora Afrontamento, responsável pela publicação da sua obra ao longo de várias décadas. Considerado um dos grandes nomes da poesia portuguesa das últimas gerações, Guimarães construiu uma carreira literária sólida, marcada por uma linguagem depurada, uma reflexão filosófica intensa e uma coerência estética rara. O anúncio da sua morte foi feito através da página oficial da editora no Facebook, com uma nota de pesar e reconhecimento pelo legado que deixa.
Fernando de Oliveira Guimarães nasceu a 3 de fevereiro de 1928 e formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, uma formação que influenciou profundamente a sua escrita e a sua visão do mundo. Ao longo da sua vida, foi professor do ensino secundário e investigador no Centro de Estudos do Pensamento Português da Universidade Católica Portuguesa, onde contribuiu para o pensamento crítico nacional, desenvolvendo investigações sobre literatura, estética e filosofia.
O seu percurso literário iniciou-se oficialmente em 1956, com a publicação do seu primeiro livro de poesia. Desde então, construiu uma obra vasta e profundamente respeitada, distinguindo-se pela abordagem lírica e meditativa da condição humana, pela musicalidade dos versos e pela atenção aos dilemas existenciais e metafísicos. Foi também responsável por importantes traduções e ensaios que ajudaram a divulgar e interpretar autores estrangeiros junto do público português, enriquecendo o panorama cultural nacional.
A editora Afrontamento, que publicou grande parte da sua produção, destaca-o como “um dos maiores poetas portugueses das últimas gerações”, uma opinião partilhada por críticos literários e académicos. A sua obra não só acompanhou como influenciou várias fases da poesia portuguesa do pós-guerra, inserindo-se num diálogo constante com a tradição e a modernidade. Além da poesia, Fernando Guimarães dedicou-se também ao ensaio literário e à crítica, afirmando-se como uma das vozes mais lúcidas e exigentes da cultura portuguesa contemporânea.
Com a sua morte, Portugal perde um dos seus grandes vultos literários, mas o seu legado permanece vivo nas palavras que escreveu. A sua poesia continua a ser estudada nas universidades, apreciada por leitores exigentes e referência incontornável no universo da literatura em língua portuguesa. Fernando Guimarães deixa-nos, mas a sua voz poética continuará a ecoar nas páginas da literatura nacional.







