Albino Gomes, especialista criminal, sublinha que a verdadeira causa do trágico acidente pode ser diferente do que foi inicialmente avançado
A morte trágica de Diogo Jota, de 28 anos, e do irmão André Silva, de 25, num violento acidente de viação ocorrido no dia 3 de julho, continua a abalar o país. Inicialmente, a hipótese de um pneu rebentado durante uma ultrapassagem foi apontada como a principal causa da tragédia. No entanto, novos dados colocam esta teoria em causa. Segundo Albino Gomes, perito forense e consultor do segmento Crónica Criminal, do programa Dois às 10 da TVI, é ainda cedo para se avançarem conclusões definitivas.
O especialista em investigação de acidentes alerta que, sem imagens do momento ou testemunhas oculares, a base para afirmar o que causou o acidente é extremamente frágil. “Não havendo um vídeo, não havendo uma testemunha, quanto a mim tudo isto é muito precário. Até porque a perícia da viatura não foi feita”, explicou Albino Gomes, frisando que a destruição completa do veículo – um Lamborghini – levanta grandes obstáculos à análise técnica.
De facto, o veículo ficou totalmente carbonizado, tornando quase impossível recuperar dados fundamentais. Contudo, o especialista revelou que existe uma ferramenta que poderá ser determinante: a chamada “caixa negra” da viatura. “Este tipo de carros tem uma centralina que regista dados como a velocidade, travagens, rotações por minuto, entre outros. Se essa centralina tiver sobrevivido ao impacto e às chamas, pode ser a chave para perceber o que realmente aconteceu”, explica Albino.
Apesar do potencial desta tecnologia, Albino Gomes relativiza a importância da velocidade na investigação, uma vez que não há envolvimento de outros veículos no acidente: “A questão aqui não é apenas perceber a velocidade, porque não há terceiros. O mais importante é entender as circunstâncias técnicas e físicas do acidente, e isso só será possível com um trabalho pericial rigoroso”, afirmou.
Este novo ângulo levanta dúvidas sobre a teoria inicialmente apresentada e reforça a importância de uma investigação cautelosa. A família das vítimas e o público aguardam por respostas claras, enquanto peritos trabalham para recuperar o máximo de dados possíveis. A trágica perda de Diogo Jota e do irmão continua a ser tema de grande consternação e interesse público, sendo fundamental apurar com precisão o que esteve na origem deste acidente que ceifou duas vidas jovens.






