Jovem de 22 anos de Vila Nova de Gaia, recém-licenciado em Direito, foi encontrado sem vida na Praia de Valadares. Pressão académica e ansiedade quanto ao futuro podem ter estado na origem do desaparecimento
O desaparecimento de João Francisco Colaço da Costa, de 22 anos, terminou de forma trágica após a confirmação de que o corpo encontrado na Praia de Valadares pertence ao jovem natural de Vila Nova de Gaia. A história, que comoveu familiares, amigos e colegas de universidade, levanta agora a questão: o que terá levado João Francisco a fugir de casa naquela madrugada de 31 de julho?
Recém-licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, o jovem era descrito como um estudante exemplar, reconhecido pelo seu empenho e dedicação. Estava, inclusivamente, entre os 10% melhores da sua turma, um feito que enchia de orgulho a família. No entanto, por detrás do sucesso académico, começavam a surgir sinais de fragilidade emocional que poucos terão percebido a tempo.
De acordo com testemunhos de amigos próximos, João Francisco mostrava-se ansioso e apreensivo em relação ao futuro, principalmente no que dizia respeito à transição para o competitivo mercado de trabalho jurídico. Essa pressão, associada às expectativas familiares e sociais, pode ter contribuído para um crescente sentimento de exaustão.
Especialistas em saúde mental sublinham que, entre jovens licenciados de alto rendimento, é cada vez mais comum o aparecimento de quadros de ansiedade, stress e depressão. Muitas vezes, esses sinais passam despercebidos, dado que os estudantes escondem as suas fragilidades por receio de desiludir os que acreditam no seu potencial.
A morte de João Francisco deixa Vila Nova de Gaia em luto e acende um alerta para a importância de abrir espaços de diálogo sobre saúde mental entre jovens em fase de transição académica e profissional. Mais do que nunca, amigos, famílias e instituições são chamados a olhar para além do sucesso visível e a prestar atenção aos sinais silenciosos que podem estar por detrás dele.






