Apresentadora recorda o impacto da participação no primeiro reality show português e lamenta o preconceito
Marta Cardoso abriu o coração sobre as consequências que a participação no primeiro “Big Brother” teve na sua vida pessoal e profissional, confessando que o reality show condicionou o rumo da sua carreira. Em conversa com Flávio Furtado no videocast “The Leite Show”, a apresentadora refletiu sobre o estigma que, na sua opinião, continua a marcar quem inicia um percurso televisivo através de um reality show. Vinte e cinco anos depois de ter participado no formato que revolucionou a televisão portuguesa, Marta considera que continua a ser vista pelo público e pela indústria como “a Marta do Big Brother”.
Durante a entrevista, a comunicadora foi clara ao afirmar que entrar num reality show pode representar uma enorme exposição, mas também fechar portas a determinados objetivos profissionais. “Para alguém como eu, ou para outros concorrentes, que pretendem fazer uma carreira em televisão, de facto, começar por um reality show não é a melhor opção“, afirmou. Marta Cardoso explicou que este tipo de programas acaba por criar uma imagem pública muito forte e difícil de dissociar, tornando mais complicada a transição para áreas consideradas mais institucionais da televisão.
A apresentadora revelou ainda que, antes de entrar na casa do “Big Brother”, tinha um futuro completamente diferente em mente. Na altura, frequentava o primeiro ano do curso de Comunicação Social e sonhava seguir uma carreira no jornalismo. “A minha intenção era ir para Informação e Jornalismo. Gostava muito de fazer jornalismo de investigação e também ser pivô de telejornal“, recordou. No entanto, o enorme impacto mediático do programa acabou por alterar definitivamente esses planos, tornando impossível regressar ao anonimato necessário para construir esse percurso profissional.
Marta Cardoso admite que rapidamente percebeu que esse sonho se tinha tornado impossível de concretizar e compreende até a posição das estações de televisão. A apresentadora reconheceu que seria difícil para qualquer canal colocar alguém tão associado ao fenómeno do Big Brother na apresentação de um noticiário de referência. “Era impossível uma estação pegar em alguém conhecido como a Marta do Big Brother e colocá-la a apresentar o Jornal Nacional. Não é compatível. E se estivesse do lado da estação, também não o faria“, confessou, mostrando uma visão pragmática sobre a realidade do mercado televisivo português.
No final da conversa, Marta Cardoso deixou uma reflexão sobre aquilo que considera ser um preconceito ainda muito presente na sociedade portuguesa. Sem esconder a sua opinião, afirmou que existem caminhos profissionais que, uma vez escolhidos, são irreversíveis, sobretudo quando envolvem programas de grande exposição mediática. “Quando falo de estigma, não o digo de forma depreciativa… Há caminhos pelos quais, quando tu vais, já não têm volta. Porque somos um país preconceituoso“, concluiu. As declarações da apresentadora voltaram a abrir o debate sobre o impacto dos reality shows em Portugal, o estigma associado aos seus participantes e as dificuldades que muitos enfrentam para construir uma carreira noutras áreas da televisão após passarem pela casa mais vigiada do País.






