Família da grávida da Murtosa ouvida na terceira sessão do julgamento. Testemunhos emocionados revelam desconfiança antiga e reforçam suspeitas contra o arguido
A terceira sessão do julgamento de Fernando Valente, no Tribunal de Aveiro, foi marcada por momentos de grande emoção com os depoimentos dos familiares de Mónica Silva, a grávida da Murtosa desaparecida desde outubro de 2023. Em destaque esteve o testemunho da mãe da vítima, que falou pela primeira vez publicamente sobre o homem acusado de ter assassinado a sua filha.
“Nunca me enganou”, declarou de forma firme e emocionada, deixando claro que sempre teve reservas quanto ao comportamento de Fernando Valente, mesmo antes do desaparecimento de Mónica. O impacto do seu testemunho foi visível em sala de audiências, onde a dor da perda se cruzou com a exigência de justiça. A mãe da vítima reforçou ainda que, nos meses que antecederam o desaparecimento, Mónica mostrava-se mais nervosa e ansiosa, embora sem revelar grandes detalhes sobre a relação com o arguido.
Além da mãe, também as irmãs de Mónica — Sara e Sandra Silva — e o pai, Alfredo Silva, foram ouvidos em tribunal. Segundo o advogado da família, António Falé de Carvalho, Sara possui provas digitais relevantes, que podem ajudar a consolidar a acusação. Já Sandra revelou que, de acordo com o filho da vítima, Fernando Valente terá sido a última pessoa a estar com Mónica antes de desaparecer, um detalhe considerado importante no desenvolvimento do caso.
O julgamento tem vindo a expor a teia de relações e desconfianças em torno do caso. Fernando Valente é acusado pelo Ministério Público de homicídio qualificado, aborto, profanação de cadáver e acesso ilegítimo, entre outros crimes. Terá assassinado Mónica para evitar assumir a paternidade da criança que esta esperava. O corpo da vítima continua desaparecido.
A família clama por respostas e justiça, enquanto o tribunal prossegue com a inquirição das testemunhas. A quarta sessão está marcada para os próximos dias, e promete trazer novas revelações, nomeadamente os testemunhos de inspetores da Polícia Judiciária envolvidos na investigação. O país continua a acompanhar de perto um dos casos mais perturbadores dos últimos anos.






