Faleceu na passada sexta-feira, dia 4 de julho, Luís Jardim, uma das figuras mais influentes da música portuguesa — e internacional —, precisamente no dia em que completava 75 anos…
O desaparecimento do produtor, músico e multi-instrumentista gerou uma onda de comoção nas redes sociais, onde artistas e fãs recordaram o seu percurso excecional e lamentaram a escassa valorização que recebeu em vida.
Entre as muitas homenagens, destaca-se a de Rui Veloso, que partilhou uma fotografia e um longo texto emocional onde recorda a amizade e colaboração próxima com Luís Jardim.
“Conhecia o Luís (como Louis) das capas dos discos em que ele tocava, antes de o conhecer. (…) Quando nos encontrámos, conheci das melhores pessoas que encontrei na vida. Como homem, como músico e profissional do ramo. Parecia um ursinho crescido”, escreveu o cantor, destacando a simpatia, educação e o sorriso fácil do amigo.
Rui Veloso destacou ainda a importância de Luís Jardim em vários dos seus álbuns mais marcantes:
“’Lado Lunar’, ‘Avenidas’, ‘Espuma das Canções’ têm Jardim por todo o lado. Aqui [na fotografia], toca o baixo no ‘Lado Lunar’. (…) Levou o Paul Carrack a fazer o Hammond no ‘Todo o Tempo do Mundo’, o Ian Thomas a gravar todo o ‘Avenidas’, o Gary Barnacle a gravar um sax no ‘Golden Days’.”
Mais do que um talento técnico, Jardim era um verdadeiro embaixador da música portuguesa no estrangeiro. Nos estúdios de Londres, era acarinhado por todos:
“’Hey, Louie!’, toda a gente gostava dele”, recorda Rui Veloso, apontando ainda o seu currículo como “inultrapassável”.
Luís Jardim colaborou com alguns dos maiores nomes da história da música, de Paul McCartney a Eric Clapton, passando por Elton John, Tina Turner, The Rolling Stones, Robbie Williams, Grace Jones (para quem criou a icónica linha de baixo de “Slave to the Rhythm”), entre muitos outros.
No entanto, a falta de reconhecimento em Portugal permanece como uma mágoa para quem privou com ele.
“O país não lhe fez a justiça devida. Vivi sempre com amargura pela falta de reconhecimento que o país votou ao Luís. Defendi o talento dele com unhas e dentes, contra a mediocridade e a ignorância. (…) Muito triste mesmo. Era o maior! Um senhor!”, lamentou Rui Veloso.
Nos comentários, o ator José Raposo não ficou indiferente às palavras do músico e reforçou a crítica:
“Toda a razão, Rui! Neste país, a ingratidão grassa! (…) Esse homem/menino que aliava brutal talento a brutal conhecimento! E com brutal humildade! País este que nunca reconhece os seus…”
Luís Jardim parte, mas deixa um legado eterno. Um nome incontornável da música, cuja influência atravessou continentes e gerações. Portugal despede-se de um senhor da música — e, como sublinharam os que o conheceram de perto, de um ser humano raro.






