Ex-primeiro-ministro afirma estar cansado durante julgamento da Operação Marquês, onde é acusado de 22 crimes
José Sócrates protagonizou mais um momento marcante durante a quinta sessão do julgamento da Operação Marquês, que decorreu esta terça-feira, no Campus da Justiça, em Lisboa. O ex-primeiro-ministro, que está a ser julgado por um total de 22 crimes, incluindo corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, pediu uma pausa alegando cansaço: “Pedia ao tribunal atenção. Estou a falar há muitas horas”.
A sessão centrou-se no interrogatório sobre o projeto do TGV, um dos temas mais sensíveis da acusação. Durante as declarações, Sócrates aproveitou para criticar o Ministério Público, dizendo que preferia “perguntas sobre o meu dinheiro, não sobre o dinheiro dos outros”. O ex-governante negou quaisquer irregularidades nas transferências bancárias associadas a Carlos Santos Silva, apontando inconsistências temporais entre os movimentos financeiros e os acontecimentos em causa no processo.
O antigo chefe do Governo invocou ainda a decisão do juiz Ivo Rosa, que anteriormente o ilibou de crimes de corrupção, como argumento contra a validade das acusações agora em julgamento. “O que há de mais absurdo nisto tudo são estes alegados pagamentos de que falam”, disparou Sócrates, visivelmente irritado com a linha de questionamento adotada.
Após mais de três quartos de hora de declarações, e perante a recusa em sentar-se — “Falo melhor de pé” — o coletivo de juízes acabou por aceitar o pedido de pausa, concedendo um intervalo de 10 minutos. A audiência retomou-se logo após esse breve descanso, mantendo-se o ambiente tenso na sala de tribunal.
Com mais de 650 testemunhas arroladas e 53 sessões marcadas até ao final do ano, o julgamento promete continuar a gerar grande atenção mediática. Entre os restantes arguidos estão nomes sonantes como Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, acusado de corrupção ativa e branqueamento, e Carlos Santos Silva, apontado como o “testa-de-ferro” de Sócrates. O desfecho do processo será decisivo para o sistema judicial português e para a imagem pública do ex-primeiro-ministro.






