O jornalista revela laços antigos com o líder do Chega e defende a transparência na sua abordagem profissional
O jornalista José Carlos, uma das principais caras da informação da CMTV desde 2012, voltou a ser destaque nas últimas eleições legislativas ao conduzir a emissão especial da noite eleitoral no canal. No entanto, mais do que os resultados da votação, o momento em que entrevistou André Ventura, líder do Chega, deu que falar — e tudo por um detalhe: o tratamento informal por “tu”.
A situação não passou despercebida ao público, uma vez que José Carlos foi o único jornalista a tratar André Ventura por “tu” ao longo da cobertura televisiva, algo que levantou questões sobre parcialidade ou relações pessoais. Confrontado sobre o tema, o jornalista foi claro. Em entrevista à TV Guia, explicou: “Seria estranho era não o tratar por ‘tu’, porque estive com o André Ventura em programas de futebol e criámos alguma amizade”.
José Carlos referiu ainda que a ligação com Ventura é anterior à sua ascensão política. “O André Ventura começou no desporto na CMTV, e foi nesse contexto que o conheci. O ‘tu’ é fruto dessa convivência anterior, e não faria sentido agora fingir que não existiu essa relação. Estaria a esconder um facto público”, sublinhou o pivot, defendendo que a transparência deve prevalecer sobre as convenções televisivas.
Apesar da informalidade no tratamento, o jornalista garante que a sua conduta profissional permanece imparcial e rigorosa, independentemente da pessoa com quem está a interagir em direto. “O profissionalismo mede-se pela forma como fazemos perguntas, não pelo pronome que usamos. E posso assegurar que nunca poupei ninguém às perguntas difíceis, incluindo o André”, rematou.
Este episódio reacende o debate sobre a proximidade entre jornalistas e figuras políticas, especialmente quando envolvem relações de longa data. José Carlos defende a autenticidade e a clareza, afirmando que esconder uma ligação anterior seria menos ético do que assumi-la publicamente. A sua postura levanta uma questão pertinente sobre como a transparência pode ser a melhor arma para combater suspeitas de parcialidade no jornalismo político contemporâneo.






