José Avillez, um dos mais renomados chefs portugueses, revelou um lado profundamente pessoal ao ser o mais recente convidado do programa Júlia, de Júlia Pinheiro…
O chef, que começou com o sonho de ser carpinteiro e hoje possui um império gastronómico com 16 restaurantes e quatro estrelas Michelin, abriu o coração sobre as experiências que moldaram a sua vida, incluindo a perda precoce do pai.
O momento mais marcante da entrevista foi o relato sobre a morte do pai, quando José Avillez tinha apenas 7 anos. “Esse é o grande abalo [da família]”, começou por dizer, recordando o dia em que recebeu a notícia. “Lembro-me tão bem. Estávamos numa escola em Cascais e lembro-me de me virem dizer que, como sabíamos, o meu pai estava doente e tinha piorado. Chamaram-me a mim e à minha irmã. Depois saímos da escola e entrámos no carro com a minha mãe e os meus avós, que nos disseram.” A perda, ainda na infância, moldou profundamente o seu percurso, obrigando-o a amadurecer muito cedo.
O chef explicou como a ausência do pai o fez assumir um papel de responsabilidade na família. “Aos 12 anos já me sentia mais maduro que os meus amigos. Sentia-me o homem da casa, responsável pela minha mãe e pela minha irmã”, confessou. Apesar de ter assumido este papel, Avillez revelou que apenas aos 17 ou 18 anos conseguiu realmente processar a perda. “Eu acho que só com 17/18 anos é que consegui processar”, admitiu, revelando como a maturidade e o tempo o ajudaram a lidar com o vazio deixado pelo pai.
Apesar da ausência de uma figura paterna, José Avillez nunca sentiu inveja dos amigos que tinham pais presentes, algo que atribui à dinâmica da família materna. “Na família da minha mãe havia muitos primos e tios. De alguma maneira, com primos mais velhos ou com tios, fui substituindo a figura masculina que me faltava.” Contudo, o chef reconheceu que o sentimento de abandono é inevitável. “Há sempre um sentimento, claro. Não é preciso ser órfão de pai e mãe, a pessoa sente-se abandonada de alguma maneira. Tentamos não nos culpar, mas pensamos que, de alguma maneira, a culpa é nossa”, partilhou.
Além de abordar este lado pessoal e emocional, José Avillez continua a ser um exemplo de resiliência e superação. A entrevista trouxe um olhar humano e inspirador sobre o homem por detrás do sucesso gastronómico, mostrando como os desafios da sua vida pessoal o ajudaram a construir a carreira brilhante que hoje ostenta.






