Realizador de obras marcantes como Noite Escura e Sangue do Meu Sangue foi encontrado sem vida em casa um dia depois de ter morrido
O cinema português está de luto com a morte do realizador João Canijo, aos 68 anos, uma perda que apanhou fãs e colegas de profissão de surpresa, como noticiamos aqui. O cineasta faleceu na quarta-feira à noite, 29 de janeiro, mas o seu corpo só foi encontrado no dia seguinte, no seu imóvel em Vila Viçosa, no distrito de Évora. Segundo fontes junto do jornal Público, a empregada doméstica encontrou Canijo sem vida na tarde de 30 de janeiro, dando início aos procedimentos oficiais.
Pouco depois da descoberta, as autoridades tornaram pública a causa da morte: um ataque cardíaco fulminante. Não terá havido sinais prévios que indicassem um quadro de saúde grave, pelo que o falecimento foi considerado repentino. A notícia deixou muitos amigos, colegas e admiradores do cinema profundamente consternados, uma vez que Canijo era uma das figuras mais respeitadas do cinema nacional contemporâneo.
João Canijo deixa um legado cinematográfico rico e influente. Ao longo da sua carreira, assinou filmes que marcaram diferentes gerações, entre os quais se destacam Filha da Mãe (1991), Sapatos Pretos (1998), Ganhar a Vida (2000), Noite Escura (2004), Sangue do Meu Sangue (2011) e mais recentemente Mal Viver (2023). Algumas destas obras chegaram a ser selecionadas como candidatas portuguesas ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, realçando a importância da sua voz artística no panorama internacional.
O reconhecimento internacional chegou em 2023, quando Canijo foi distinguido com um Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim, precisamente pela obra Mal Viver, consolidando-o como um dos cineastas portugueses mais respeitados além-fronteiras. Figura carismática e exigente, João Canijo deixa um vazio no cinema lusófono, tendo inspirado colegas mais novos e conquistado respeito entre críticos e públicos. A sua obra continuará a ser recordada como um dos pilares do cinema português contemporâneo.





