Joana Marques é hoje um dos nomes mais influentes do humor em Portugal…
Criadora de “Extremamente Desagradável”, a rubrica mais ouvida da rádio nacional, integrada no programa “As Três da Manhã”, da Renascença, a humorista abriu o jogo sobre o método que encontrou para lidar com o exigente processo criativo… e que passa por madrugar — contra todas as expectativas.
Apesar de já ter assumido várias vezes que não é uma pessoa matinal, Joana explicou que precisou de mudar radicalmente a sua rotina para conseguir manter a qualidade e a regularidade de um dos formatos mais exigentes da rádio portuguesa.
“Inicialmente tentava trabalhar à noite, mas isso não funcionava. Já tinha trabalhado intensamente de manhã e depois tentava ter ideias às nove da noite… estava nos antípodas disso”, confessou no podcast Má Ideia, de Guilherme Fonseca.
A humorista revelou que chegou a fazer noitadas até às duas da manhã, o que tornava insuportável o despertar às seis para entrar em direto às sete. O resultado? Cansaço extremo, frustração e até momentos em que adormecia enquanto escrevia.
A viragem aconteceu quando percebeu que não precisava de trabalhar mais horas, apenas trabalhar noutra altura do dia.
“De há um ano e tal para cá, passei a acordar às cinco da manhã para escrever — nunca pensei dizer isto”, contou, com o humor que lhe é característico.
Segundo Joana Marques, este novo horário trouxe várias vantagens: silêncio absoluto, ausência de interrupções e uma mente “limpa”, ainda livre do desgaste do dia.
“É uma hora em que ninguém me interrompe. As únicas pessoas acordadas são padeiros ou ‘coaches’ a fazer banhos de gelo”, brincou.
A pressão do tempo também se revelou uma aliada inesperada. Saber que às sete da manhã tem de estar tudo pronto acabou por aumentar o foco e a produtividade.
“Ter um timing apertado comigo resulta bem”, admitiu.
Ainda assim, a comediante reconhece que nem sempre fica totalmente satisfeita com o resultado final e que muitas ideias gostariam de mais tempo de maturação. Porém, o balanço é claramente positivo — não só a nível profissional, mas também pessoal.
“Ajuda-me muito no resto da vida, nomeadamente a conseguir dormir seis horas em vez de quatro. No cômputo geral, sai muito melhor do que quando tentava trabalhar à noite.”
Aos 40 anos, Joana Marques prova que o sucesso de Extremamente Desagradável não se deve apenas ao talento e ao humor mordaz, mas também a uma disciplina invisível ao ouvido do público — mesmo que isso implique começar o dia quando ainda é noite cerrada.






