Comentadora do ‘Passadeira Vermelha’ lamenta atitude dos irmãos Rosado e acusa-os de tentar censurar o humor livre em Portugal
O mediático processo judicial que opõe os irmãos Nélson e Sérgio Rosado, da banda Anjos, à humorista Joana Marques deu esta terça-feira, 17 de junho, o seu primeiro passo no tribunal. Em causa está um vídeo satírico publicado pela criadora de Extremamente Desagradável, que ironizava uma atuação da dupla no Autódromo Internacional do Algarve, durante uma prova de MotoGP. O caso ganhou proporções inesperadas quando os músicos decidiram processar Joana Marques, exigindo uma indemnização de um milhão de euros por alegados danos à sua imagem.
A polémica já está a marcar o panorama televisivo e foi alvo de análise no programa Passadeira Vermelha, da SIC Caras, onde Joana Latino, Zulmira Garrido e Carolina Ortigão comentaram os desdobramentos do caso. Mas foi a intervenção de Joana Latino que mais se destacou, ao criticar de forma contundente a postura dos irmãos Rosado.
“Lamento imenso que os Anjos estejam a arrastar a sua dignidade pela lama insistindo neste processo contra alguém que fez humor”, começou por dizer, lembrando que o foco da polémica deveria estar noutras entidades. “O problema não está na Joana Marques, mas nas pessoas que os contrataram e que não lhes garantiram as condições técnicas que pediram. Essas falhas é que resultaram numa atuação que depois acabou por ser motivo de risota.”
A jornalista defendeu ainda que a banda está a canalizar erradamente a sua frustração para Joana Marques, ignorando que o vídeo apenas refletiu o que já era alvo de chacota nas redes sociais:
“Acho absolutamente lamentável que tenham escolhido fazer disso um cavalo de batalha. O que está aqui em causa é o reflexo de uma sociedade que deve prezar o humor livre. Nélson e Sérgio estão a armar-se em virgens ofendidas.”
Segundo os músicos, o vídeo terá tido impacto direto na sua carreira, alegando perdas de concertos e até ameaças de morte após a exposição pública. No entanto, Joana Latino mostrou-se céptica quanto à solidez dessas acusações:
“Estão a querer provar o improvável… Não consigo entender. Estão, de facto, a arrastar a sua dignidade pela lama, foi como comecei e é como acabo.”
A sentença ainda não foi proferida, mas este caso levanta uma questão maior: onde termina a liberdade artística e começa o limite da ofensa? Para já, o tribunal decidirá se o humor de Joana Marques ultrapassou a linha — ou se a reação dos Anjos é uma tentativa de censura num país que valoriza a sátira como parte integrante da crítica social.






