João Carvalho aponta “culto de personalidade” e alerta para fragilidade do partido sem o seu líder
O investigador João Carvalho defende que existe um domínio quase absoluto de André Ventura sobre o Chega, comparando a dinâmica interna do partido à realidade política da Coreia do Norte. Em entrevista ao podcast Lusa Extra, o doutorado em Ciência Política sustenta que “André Ventura é o Chega”, apontando para aquilo que considera ser um claro “culto de personalidade” dentro da estrutura partidária.
Segundo o investigador do CIES-ISCTE, o segundo maior partido com representação parlamentar revela sinais de “falta de democracia interna” e uma forte centralização de poder na figura do líder. João Carvalho sublinha que a ideia do “líder forte e autoritário” continua a ter peso em Portugal e que Ventura soube capitalizar essa tendência, dando-lhe uma nova roupagem política.
Em termos eleitorais, o politólogo considera que o partido depende fortemente da imagem do seu presidente. Nas suas palavras, o Chega é “muito mais fraco enquanto estrutura partidária do que André Ventura enquanto candidato”. Como exemplo, refere que em eleições autárquicas e europeias — onde o nome de Ventura não surge diretamente no boletim de voto — a capacidade de mobilização é significativamente inferior quando comparada com legislativas ou presidenciais.
João Carvalho alerta ainda para o futuro da força política, defendendo que partidos fundados em torno de um “empreendedor político” e sem forte enraizamento social tendem a ser mais vulneráveis a médio e longo prazo. Apesar de reconhecer que o Chega tem conseguido fidelizar um segmento específico do eleitorado, o investigador considera que o partido enfrenta dificuldades em apresentar-se como alternativa governativa credível e poderá, no futuro, ser confrontado com desafios internos e externos que testem a sua coesão e estratégia política.





