A tarde desta sexta-feira na “1.ª Companhia” ficou marcada por um momento de rara pedagogia e transparência por parte do Instrutor Marques, que aproveitou a evolução de Soraia Sousa na prova da Voz de Comando para exemplificar aquilo que considera ser o comportamento ideal de um militar…
Perante o grupo, o instrutor elogiou a capacidade de correção demonstrada pela recruta, sublinhando que errar faz parte do processo de aprendizagem, desde que haja consciência e vontade de melhorar. Num discurso marcado pela humildade, Marques assumiu que a falha é transversal a todos os níveis da hierarquia.
“Isto é o que eu espero de um recruta, porque errar todos erramos. Eu já errei (…) Mas quando sou advertido, aprendo. E isto é o que eu esperava da Sousa”, afirmou.
Segundo o instrutor, esta postura explica plenamente a distinção que Soraia Sousa já havia recebido anteriormente, afastando qualquer ideia de favoritismo ou acaso. “É mais uma coisa que não é o acaso”, frisou, antes de acrescentar que a recruta soube reconhecer o erro e corrigir rapidamente a sua atitude. “Ela percebeu (…) que tem a medalha de mérito militar. Foi advertida pelo que fez de errado e rapidamente corrigiu a sua postura.”
Aproveitando a atenção total dos recrutas, o Instrutor Marques decidiu ainda desmontar um dos mitos mais recorrentes dentro do quartel: a ideia de que os instrutores não têm sentido de humor. O militar esclareceu que a postura séria não resulta de frieza, mas sim de respeito pelo papel que desempenham e pela missão do programa.
“Vocês às vezes pensam: ‘ah, porque é que os instrutores não se riem’ (…) Não é que não tenha vontade, eu tenho vontade”, confessou. No entanto, explicou que opta por conter qualquer reação para manter a disciplina e a dignidade do momento. “Temos sempre o máximo de respeito por vocês, pelo que estamos aqui a fazer (…) por isso é que não expressamos.”
O discurso terminou com uma mensagem clara: o objetivo da “1.ª Companhia” não passa por criar momentos imediatos de diversão, mas sim por promover crescimento pessoal, disciplina e sentido de responsabilidade. Ainda assim, o instrutor deixou uma nota de esperança para o futuro, fora do contexto militar.
Marques admitiu que, após o fim do programa, as barreiras hierárquicas poderão cair para quem provar o seu valor. “Quando isto acabar, talvez, alguns se merecerem, se nós merecermos, possamos ter momentos de riso, todos juntos”, concluiu.
Um momento que foi amplamente visto como uma verdadeira aula de liderança e respeito mútuo dentro da “1.ª Companhia”.






