Marca é acusada de falta de empatia num momento sensível após o desaparecimento e morte de Maycon Douglas
A marca de preservativos Control está no centro de uma forte polémica depois de uma publicação nas redes sociais, feita em tom jocoso, ter sido associada ao desaparecimento de Maycon Douglas, DJ e ex-concorrente de um reality show, cujo corpo viria a ser encontrado no mar, na Nazaré. A frase “Dizem que as da Nazaré são as maiores”, acompanhada por uma imagem das conhecidas ondas gigantes, foi partilhada quando Maycon ainda se encontrava desaparecido, o que gerou revolta entre familiares, amigos e seguidores.
A reação mais contundente partiu de Renata Reis, ex-namorada de Maycon Douglas, que recorreu às redes sociais para expressar a sua indignação. Num texto longo e emotivo, Renata acusou a marca de falta de sensibilidade, sublinhando que valores como a dignidade humana, o respeito pela vida e pela dor das famílias devem estar acima de qualquer estratégia de marketing. Para a jovem, a coincidência temporal entre a publicação e o caso amplamente noticiado tornou impossível ignorar a ligação implícita à tragédia.
Também Rúben Silvestre, um dos amigos mais próximos do DJ, se pronunciou publicamente, alinhando-se com as palavras de Renata Reis. O amigo de Maycon destacou que, naquele momento, a Nazaré deixou de ser apenas um símbolo de ondas gigantes para representar angústia, sofrimento e espera. Rúben frisou que não se trata de censura, mas sim de empatia, defendendo que há situações em que o silêncio e a prudência comunicam mais do que qualquer campanha publicitária.
A revolta foi igualmente partilhada por Nufla, artista que escreveu uma música em homenagem a Maycon Douglas. Sem rodeios, classificou a publicação da Control como “oportunismo puro”, acusando a marca de explorar a dor alheia em nome de likes, alcance e engagement. Para o músico, “marketing sem valores é lixo”, reforçando que há dores que não devem ser usadas como ferramenta promocional, sobretudo quando famílias e amigos vivem dias de profunda incerteza e sofrimento.
Esta controvérsia reacendeu o debate sobre os limites do humor e da ousadia na comunicação das marcas, especialmente em contextos de tragédia real. O caso Maycon Douglas mostrou que, na era digital, o impacto emocional de uma publicação pode ser tão relevante quanto a sua intenção, e que a responsabilidade social deve caminhar lado a lado com qualquer estratégia de marketing, sobretudo quando envolve temas sensíveis e perdas humanas.






